Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

URAP e o museu em Santa Comba Dão

(Imagem: "D. Quixote", de José Antonio Ferrari)

A União de Resistentes Antifascistas Portugueses luta contra monstros que são moinhos. Estes eternos cavaleiros antifascistas de há trinta anos personificam na perfeição D. Quixote de La Mancha.
Infelizmente para eles, o poeta António Gedeão não marca aqui a sua Impressão digital. Neste caso não se pode dizer “Onde Sancho vê moinhos / D. Quixote vê gigantes. // Vê moinhos? São moinhos. / Vê gigantes? São gigantes.”
Não são gigantes, D. Quixote, são MOINHOS! Ou seja: já não existem fascistas para combater trinta anos depois do 25 de Abril! Assim, a URAP insurgir-se contra a criação de um museu dedicado a Salazar com escassas 16 mil assinaturas é o mesmo que investir contra moinhos – um acto inglório e patético.
Um museu dedicado a Salazar seria uma excelente oportunidade para estudar, melhor conhecer e divulgar um passado recente de ditadura e opressão, dissipando assim algum saudosismo que por aí ainda possa restar. Isto é exactamente o oposto dos gigantes que a URAP apregoa, como chamar ao museu “santuário de exaltação ao salazarismo”, ou “divulgação de ideologia fascista.”
Praga, capital da República Checa, é talvez um dos exemplos mais flagrantes das benesses que um museu pode trazer à memória histórica. Inaugurado depois dos horrores da URSS, o Museu do Comunismo veio trazer clareza, estudo e divulgação sobre um dos regimes mais sangrentos de sempre. Este museu está longe da apologia ao comunismo visto que expõe o passado com isenção. Lembre-se, para mais, que a República Checa só se livrou das garras da URSS em 1989.
Trinta anos depois do 25 de Abril pode-se tirar uma conclusão a partir das investidas irrealistas dos eternos resistentes da URAP: quem quer por força ver gigantes nunca pode ver moinhos.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 16:18
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6 comentários:
De José Tomás Costa a 8 de Novembro de 2007 às 09:58
Caro Alberto Alves:

Gostava de lhe responder mas o seu texto está um pouco confuso. Não sei se o calor da emoção lhe turvou a expressão escrita...

Os exemplos dados expressam bem a utilidade: o museu do Comunismo em Praga, que matou bem mais que o nazismo, lembra o que foi o comunismo na República Checa;

Um museu que lembre o Estado Novo não é nenhum crime contra a humanidade. Ou há épocas históricas que devem ser apagadas da memória.

Não percebo o seu medo.

Não existe nenhuma disfunção educacional grave em fazer comparações que ilustrem a nossa opinião.
De si só vejo um disfunção de tolerância grave...

Merece um puxão de orelhas!
De Anónimo a 8 de Novembro de 2007 às 05:35
Só lá vai quem quer, ninguém é obrigado a ir, para que tanto medo, acham que vai ser um sucesso?
De Alberto Alves a 7 de Novembro de 2007 às 20:28
Acerca desta secção

Em resposta a:
http://janelar.blogspot.com/2007/11/urap-e-o-museu-em-santa-comba-do.html

A analogia de vossa Exª só é visível à luz de uma disfunção educacional grave … Confunde FASCISMO E DITADURA com Comunismo !!??

Então não sabe que a hitória da (des)humanidade foi povoada por raças de ditadores cujos vários espécimes foram (ideológicamente), uns comunistas, outros fundamentalistas católicos, quase todos fundamentalistas nacionalistas, mais alguns fundamentalistas islâmicos, outros coisa nenhuma, etc, etc.

Com que então, compara uma ideologia (boa ou má... é discutível) com uma homicida tara psicótica (colectiva, porque nenhum, ditador sobrevive sozinho), que é querer ser-se ditadorzinho, cujos laivos de birra contra quem discorda, causou a morte e desaparecimento de mães, pais e filhos ?

Tal falta de estudo merece um puxãozinho de orelhas.

Já agora que defende o museu da ditadura daqui a alguns tempos deve defender o museu da pedofilia!!??

Saudável seria um museu de tributos " ÀS VITIMAS DE SALAZAR" ou às vitimas de qualquer infâme, cruel acto de desumanidade. Agora um museu à DESUMANIDADE ???

Você não deve mesmo ter família … Santa Ignorância!!
De Afonso Reis Cabral a 6 de Novembro de 2007 às 20:46
Sim, excelente proposta!
De António Sousa Leite a 6 de Novembro de 2007 às 20:24
Não compares o grande D. Quixote, se bem que sonhador, mas grande cavaleiro de um grande livro de Cervantes com esses idiotas da união dos resistentes antifascistas. Pelo menos porque por estes ninguém tem respeito, nem um pobre Sancho Pansa. Ninguém nunca se sujeitaria a ser lacaio de tal gente.
Mas já era altura de, 30 anos depois do PREC, criar a união dos resistentes anti-comunistas, ou, falando de um passado mais longínquo, porque não uma dos resistentes anti-napoleónicos, que batalhasse pelo fecho do museu do Buçaco e até dos resistentes anti-Filipes, anti-Roma, etc. Tudo no nome da liberdade, da defesa do povo, na luta contra a opressão e, sobretudo, na luta procura pela transparência e liberdade de expressão.
De Anónimo a 6 de Novembro de 2007 às 16:52
Quem fala assim não é gago!

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