Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

José Sócrates: dois anos

Se um dia se cruzar com José Sócrates, é bom que saiba o seguinte: o primeiro-ministro só o ouvirá com atenção, durante mais de cinco minutos, se tiver algo para lhe dizer que ele não saiba e queira muito saber. Considerandos filosóficos, políticos, históricos, contextualizações financeiras, geoestratégicas interessam-lhe pouco; por duas razões, essencialmente: José Sócrates julga conhecer mais do que ninguém sobre tudo e, frequentemente, conhece mesmo.
No caso de as suas teses colidirem com as dele, ou se disser algo que lhe desagrada, a reacção pode ainda ser brusca. "Isso é um disparate", é o tipo de frase que José Sócrates usa frequentemente para cortar a palavra ao seu interlocutor. Nestas circunstâncias, a sua expressão de desagrado ou enfado é violenta, por vezes arrogante: como se o que acabasse de dizer fosse uma enormidade, uma estupidez. Na sequência do diálogo, para rematar a questão, o primeiro-ministro pode também discorrer longamente sobre o assunto, apresentando factos, com a segurança de quem diz uma verdade indiscutível. Atenção: ele pode discorrer longamente sobre o assunto - só ele.
(...)
Ricardo Dias Felner
in Público 20-02-2007

Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:35
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Comunicação interna

Ó Raquel, dos 10+ qual é a tua candidatura a "maior português de sempre"?


Publicado por Afonso Reis Cabral às 17:18
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Candidatura a "Melhor Português"

Como o Afonso já fez publicidade ao Fernando Pessoa faço também publicidade ao meu querido Oliveira Salazar/ ao meu saudoso Presidente do Conselho...
Não tenho nenhum poema para publicar, mas o vídeo também serve


Publicado por José Tomás Costa às 16:16
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Concurso Literário

Está a decorrer o VI Concurso Literário da Trofa, destinado a promover o conto infantil.
O concurso destina-se a quem não tenha "nenhum livro publicado na área da Literatura" e o primeiro prémio é de 2400 euros.
O conto terá um máximo de 15 páginas, com espaçamento duplo e letra Times New Roman, tamanho12.
Os trabalhos podem ser submetidos a concurso até às 17h00 do dia 2 de Abril de 2007.

Encorajo-vos a explorarem o vosso lado mais imaginativo e a participarem, o que naturalmente só deverão fazer após consulta do regulamento, através do site da Câmara Municipal da Trofa.
Bons trabalhos!
Publicado por Afonso Reis Cabral às 16:06
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Lula da Silva

Lula da Silva sobre o caso da criança que foi arrastada 7 quilómetros:
Se a gente estivesse naquele lugar, certamente que faríamos quase a mesma barbaridade que aqueles jovens fizeram com aquela criança.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 09:50
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

Mayada, Filha do Iraque

Apraz-me dizer que me estreio hoje como participante activa deste mundo que está a crescer tão depressa e que é a blogosfera. Espero que o contributo venha a ter balanço positivo.

Como curiosa que sou, no bom sentido, interesso-me muito por conhecer a realidade do mundo, fora do país e do nosso (afinal pequeno) continente europeu. E as distâncias que não tive ainda oportunidade de percorrer pelo meu pé, percorro-as através das páginas dos livros.

De há algum tempo para cá descobri uma série de livros publicados sobre a vida de mulheres muçulmanas em países fundamentalistas. É acerca de uma destas histórias que vos escrevo hoje, com a sugestão de leitura da obra Mayada, Filha do Iraque, de Jean Sasson, publicada pelo Círculo de Leitores:

Esta leitura não deixa ninguém indiferente e é um hino aos que sobrevivem ao inferno. Está escrito de uma forma inteligente, que revela a cada página as duras vidas de mulheres que foram feitas prisioneiras durante o regime de Saddam Hussein, sem perceberem sequer de que eram acusadas. A história é narrada do ponto de vista de uma dessas mulheres, Mayada. O interesse aumenta pois Mayada, criada numa família de posição social elevada, conta às companheiras de cela os seus encontros com Saddam Hussein e outras pessoas de destaque da sociedade iraquiana. De resto, é essa posição priviligiada que permite a Mayada ser a única a ser libertada daquele terrível suplício.

Quando terminei a leitura, senti uma grande compaixão por aquelas mulheres e famílias que nunca vi e entristeceu-me desconhecer o seu destino... Não sei se me chocou mais o aperceber-me das provações a que aquelas pessoas foram submetidas se compreender que estavam ali por razão nenhuma e que tudo se passou praticamente ontem... Onde estava a ajuda? Acresce o sentimento de revolta contra os regimes que causam um sofrimento tão grande e... tão sem sentido.

Penso então que a história destas mulheres não será esquecida... Fica um brevíssimo excerto para os interessados:
"Disseram-me que ficarei aqui até confessar que sou uma espia, mas nada tenho a confessar. Não sou uma espia e, por muito que me dêem choques eléctricos e me espanquem, nunca direi que sou uma coisa que não sou."
Publicado por Afonso Reis Cabral às 20:16
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Bem-vinda!

Dou as boas-vindas à Raquel, que a partir de hoje vai estar à janela deste blog.

Desejo-lhe bons posts!

Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:00
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Alguém pediu lume?

Foto de Rodrigo Cabrita no Corta-Fitas.
(Fevereiro de 2007)
Publicado por Afonso Reis Cabral às 10:25
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Fraca participação democrática: um mal universal?

Afinal não é só por cá que os referendos dão bronca: a Andaluzia foi a votos num referendo para alterar o Estatuto de Autonomia. O “sim” ganhou por 87,4% contra 9,4% do “não”.

Abstenção? Esteve na casa dos 64%!

Publicado por Afonso Reis Cabral às 10:15
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Morte branca

Janeiro de 1995, quinta-feira. Em roupão e de cigarro apagado nos dedos, sentei-me à mesa do pequeno-almoço onde já estava a minha mulher com a Sylvie e o António que tinham chegado na véspera a Portugal. Acho que dei os bons-dias e que, embora calmo, trazia uma palidez de cera. Foi numa manhã cinzenta que nunca mais esquecerei, as pessoas a falarem não sei de quê e eu a correr a sala com o olhar, o chão, as paredes, o enorme plátano por trás da varanda. Parei na chávena de chá e fiquei. Sinto-me mal, nunca me senti assim, murmurei numa fria tranquilidade.
Silêncio brusco. Eu e a chávena debaixo dos meus olhos. De repente viro-me para a minha mulher:
«Como é que tu te chamas?»
Pausa. «Eu? Edite.» Nova pausa. «E tu?»
«Parece que é Cardoso Pires», respondi então.

De profundis, Valsa Lenta é uma viagem autobiográfica às profundezas da “memória duma desmemoria”. José Cardoso Pires relata os dias seguintes ao AVC que lhe arrancou a fala e a possibilidade de escrita. De uma maneira rara, recuperou quase totalmente e, dois anos volvidos, descreve com sobriedade e beleza a sua passagem pela “desmemoria” vivida “pelo outro” em que se transformou.
Precedido por uma carta do médico João Lobo Antunes, escrita com elegância*, o livro é um testemunho singular e único pelas circunstâncias que o precederam.
Nas entrelinhas da descrição das consequências do AVC, descobre-se o mundo aspirínico do Hospital Santa Maria, com os seus doentes-tipo, sempre prontos a criticar as decisões dos médicos, e especialmente das médicas, que as mulheres só servem para lavorar. Enfim.
Descobre-se também a súbita recuperação e toma-se o gosto à valsa lenta, dança-se por entre as linhas. O livro é uma vitória.
Gostei bastante, especialmente depois de ler “O Render dos Heróis”, peça de teatro quase inconclusiva da qual só se safam frases como: “Dai-me uma lágrima de azeite para adubar a broa”.


*Era claro, para todos nós, que um minúsculo coágulo de sangue se esgueirara a partir da sua paciente bomba cardíaca, ou de artéria grossa, parcialmente enferrujada, e viajara até parar e entupir, ou, então, houvera birra na canalização local. De qualquer modo, um grupo de neurónios, dos de melhores pergaminhos, ficara subitamente privado de oxigénio para respirar e de açúcar para se alimentar. Quanto tal sucede por um período prolongado de tempo (e não é preciso muito), a célula nervosa começa a sofrer, e a primeira coisa que se altera é a sua membrana, dama de permeabilidade aristocraticamente selectiva. Entram então sódio e cálcio, e sai potássio, e produzem-se substâncias a que os químicos chama de radicais livres, causadores dos maiores malefícios, como qualquer de nós poderia adivinhar, pois radicais não são para andar à solta. Pouco a pouco esgota-se a energia, a célula desfalece e morre.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 23:25
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Carnaval no México

“¡Oh, carnavales que resucitan el gran tesoro de la alegría, y a los que sufren y a los que lloran traen el consuelo de la sonrisa!"
Carlos Osuna Góngora, no livro “Canto da minha terra”, falando do Carnaval mexicano.

Será que foi este espírito que levou os mexicanos a adoptar a borboleta caveira como figurante nas procissões de Carnaval? Será que é uma espécie de desafio à tristeza trazer uma borboleta da noite para a alegria da festa, ainda para mais tendo essa borboleta uma caveira perfeitamente desenhada nas costas? De onde é que vem esta tradição?

Publicado por Afonso Reis Cabral às 15:51
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Amor post mortem

Um abraço perpetuado pela eternidade.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 12:41
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Casas-colmeia




Publicado por Afonso Reis Cabral às 18:49
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Foto de Inverno

Publicado por Afonso Reis Cabral às 16:09
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Memórias da Guerra Colonial VII


Foto: AMEQC
N'Dalatando saqueada depois da vitória do MPLA sobre a UNITA e a FNLA.

Angola (1975)
Publicado por Afonso Reis Cabral às 15:29
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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

Segundo o Público...


... o valor da droga apreendida em 2006 pagaria metade da OPA. Do que estão à espera?
Publicado por José Tomás Costa às 22:41
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As palavras matam

Não se sabe bem como é que a discussão começara, nem porque motivo. Pouco interessa, no entanto. Os dois começaram por discutir, acutilantes, e depois partiram para a minudência das palavras que valem só por si, que são como chicotes do discurso. Atiravam um ao outro palavras como navalhas.
Quase que se ouvia o ar a ser cortado pelas lâminas do vocábulo:
ZIC, ZAC!
A discussão perdera já o fio à meada e bastava-se agora a si mesma, sem causas nem consequências e era por isso mortal.
O de cá: um olhar ensanguentado, já lânguido, um tanto ou quanto obsceno. Em fase terminal. As mãos a abrir e a fechar - um ligeiro tremor nos braços. Um desviar de ombro como que para se esquivar à navalha lançada directamente da boca da oponente. Por vezes um estremecer súbito, como se a lâmina tivesse acertado em cheio.
A de lá: As mãos esticadas, um olhar baço (espelhando o nada, mais precisamente) e pernas duras que de repente se dobravam como que um pau quebrado. Um início de choro, um início de lágrima. Deveria ter duas ou três lâminas espetadas no corpo.
Assim discutiam, em frente de toda a gente, sem preocupações de pudor ou dignidade. Pior: sem se preocuparem com as navalhas que projectavam, por vezes sem muita pontaria.
Todos os que os rodeavam estavam atónitos e não se moviam um centímetro do local, nem sequer baixavam a cabeça em sinal de aflição. Talvez um riso ou sorriso nervoso aqui e ali, olhando para o de cá ou para a de lá.
E então, sem qualquer motivo, um dos espectadores começa a chorar, contorcendo-se. E outro, e outro, aqui já ao lado e ali mais à frente. Não era um choro de dor, assemelhava-se mais a um ganir de cão espancado. Cada vez mais pessoas começavam subitamente a largar umas lágrimas pesadas, espessas.
E depois (sem motivo!) iam caindo ao chão, arfando, gritando, gemendo. Nessa altura, o pranto nada mais era do que orvalho na cara de cada um. Um orvalho sedoso.
Só depois de todos estarem estendidos no chão, como mortos, é que o casal que discutia se apercebeu do que havia acabado de fazer.
A verborreia de palavras cortantes como navalhas que tinham estado a atirar um ao outro atingira mortalmente todos em redor.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 22:30
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A ler

1. Portanto...
post de Miss Pearls no Corta-fitas

2. Pequenos medos
post de Henrique Burnay no 31 da Armada

3. Um metro para cada português
post de Vitor Cunha no Atlântico

4. Memórias devoradas ao amanhecer
post de Marta Caires no Corta-fitas
Publicado por Afonso Reis Cabral às 18:29
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Andarilho pela paz



Mandaram-me este "andarilho pela paz" num daqueles mails-em-cadeia. Um único pensamento me ocorre: o boneco anda, anda, anda, anda pela paz... mas nunca sai do sítio.


Publicado por Afonso Reis Cabral às 16:55
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Hoje, às 22h 30

São muitos os candidatos em 850 anos de história...
O pior português de sempre, a par do melhor, será hoje revelado. O programa começa às 22h 30. Às 23h 40, na RTP, passa o documentário sobre o único candidato que está nos dois programas: António Oliveira Salazar! Um paradoxo? Não.
Mário Soares também está nos finalistas do Pior Português e ficou em 11º no Melhor. Os políticos são muito mal amados:

Publicado por José Tomás Costa às 22:05
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"I should find myself degraded if I descended to finding out if my convictions suited every man in the audience before I uttered them."
John Osborne
in A subject of scandal and concern

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