De Anónimo a 1 de Outubro de 2007 às 18:33
Este Almanaque é eterno e tem o imenso encanto de tudo o que sobrevive apesar de não ser preciso para nada.
Mas sobrevive.E sobrevive contra toda a lógica da vida informatizada,telemobilizada e trepidante.
É como uma espécie de tia velha de quem alguém se esqueceu no quarto mas teimosamente continua a respirar. A sobrinha neta e aleijadinha que lhe levava o caldo e a açorda já foi a enterrar há anos e ninguém deu por isso.
Sobrevive tão teimosamente como o sol teimosamente volta a nascer todos os dias; como as estações que continuam a marcar ritmadamente as vidas dos nossos anos.
E é toda esta doce teimosia e resistência que me encanta e seduz.
Lê-lo é como reencarnar num antepassado.Lê-lo não é bem ler é antes viver outra vida e ter terra para lavrar e searas para ceifar.É ter rebanhos e em Fevereiro fazer o melhor queijo do mundo.
Ò BORDA D'ÁGUA!
Tu que me dizes: "em março marçagão canta o perdigão" cheiras a esteva e a casca de tangerina, cheiras a cadernetas e a gis; cheiras a naftalina e a Brahms;cheiras a canela e a caril; cheiras a terra molhada e a palha; cheiras a ontem e a hoje.
Não morras BORDA D'ÁGUA!
Não morras porque se morreres ninguém saberá que dia é amanhã!
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