Domingo, 17 de Dezembro de 2006

O caso Carolina

Carolina Salgado, namorada durante seis anos de Pinto da Costa, lançou há coisa de uma semana e meia um livro intitulado "Eu, Carolina".
Os sentimentos que impulsionaram o livro não devem ser contabilizados pois podem divergir num leque extenso de razões e intuitos… No entanto, a opinião pública parece mais ou menos unânime: o livro parte de um fundo de valores inexistentes e foi escrito com o propósito de vingança passional. Filomena Martins, na Sábado desta semana, chega mesmo a dizer que "no campo dos princípios, o livro de Carolina Salgado é um escarro." Não me importa os sentimentos que impulsionaram o livro, esses estão lá bem no fundo de Carolina e podem ir desde a pura vingançazinha até à ao uso do livro como arma contra quem lhe queira fazer mal. Ou seja: para o que diz no livro, os sentimentos que o impulsionaram não interessam para nada.
Mais ainda: pode-se analisar desde já, sem ser preciso ler o livro, o tipo de pessoa que Pinto da Costa é pelo tipo de pessoas com quem ele se dá, escusado será dizer mais. Este é o nível de pessoa que os portistas têm tido como presidente do FCP.
Basta ler as passagens que por aí vão aparecendo para dividir o livro em dois:
a)Vida conjugal (esfoliações, corte de pelos, libertação de gazes…);
b)Acusações graves do foro criminal (corrupção, tareias…);
Como é óbvio, a parte a) não deve ser comentada.
Na parte b) é que reside o grande escândalo.
A meu ver, o livro só vem revelar algo que já se sabia ou que já se desconfiava: a corrupção extrema no mundo do futebol e a sua impunidade.
Mais: este livro é escrito por uma pessoa que esteve directamente envolvida nos acontecimentos e que sabe ao pormenor tudo o que se passou, pelo menos tudo o que se passou durante os seis anos que esteve envolvida com Pinto da Costa. É aqui que reside o grande problema: o livro troça do sistema de justiça português pois vem comprovar a sua ineficácia. Desde fugas de informação até à impunidade dos perpetradores de um espancamento, a troça é mais que muita…
Vem-se a confirmar que a corrupção no futebol português sai impune dos crimes que pratica. É aqui que todos temos que nos sentir ofendidos: uns saem impunes e outros não.
Parto naturalmente do princípio de que as acusações feitas no livro são verdadeiras, não vejo motivo para que não o sejam visto que inclusivamente a autora se acusa a si mesma pois também ela esteve envolvida. Também ela deve ser investigada.
O livro vem troçar da justiça porque é preciso um texto escrito com todas as palavras para que se comece a investigar com honestidade e eficiência: se o não fizerem agora não o farão nunca.
No entanto, e apesar de tudo o que disse, deve imperar a norma de que todos são inocentes até prova em contrário em tribunal.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 13:54
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"I should find myself degraded if I descended to finding out if my convictions suited every man in the audience before I uttered them."
John Osborne
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