Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Cronista


Rui Tavares ficará celebremente esquecido pelos seus raciocínios inteligentes. Já não é a primeira vez, nem será a última (aceito correr o risco da previsão marcelina, já que o caso é tão flagrante…), que raciocínios como o que hoje explana no Público nos dão azo a um momento agradável de descontracção, no meu caso pela manhã, que é quando folheio esse jornal.
Sobre o extenso estudo que Cavaco Silva encomendou à U.Católica, Rui Tavares foi capaz de escrever umas linhas no mínimo interessastes. Porque é que os jovens são ignorantes? Porque nasceram ignorantes! Porque é que os jovens não conhecem a história do Estado Novo e do 25 de Abril? Porque não estavam vivos na altura!

«Vamos ser justos. Não foram os jovens que elegeram Salazar como "o maior português de sempre" num programa de TV. Nunca ouvi nenhum jovem dizer que precisamos de “um Salazar em cada esquina”.

Os jovens não sabem quem foi o primeiro Presidente eleito depois do 25 de Abril? A ignorância dos jovens não precisa de grandes teorias. Há uma explicação simples: os jovens são ignorantes porque nasceram ignorantes. A informação adquire-se como o tempo, e durante um tempo é cumulativa: houve um tempo em que eu não sabia quem foi Leonardo da Vinci, e agora um tempo em que não sei quem é o Presidente da Estónia (…).

Os jovens não são virtuosos por não dizerem “no meu tempo é que era bom” – eles não conheceram outro tempo – e também não são viciosos por não saberem quem foi Ramalho Eanes. São apenas jovens. É uma doença que se cura sozinha.»

Estes parágrafos seguem não só uma estranha lógica, como ignoram toda a outra faceta do discurso do Presidente da República sobre a política e o alheamento dos jovens face a ela…

Publicado por Afonso Reis Cabral às 18:28
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1 comentário:
De realvst a 3 de Fevereiro de 2010 às 06:07
Acho que não é bem assim... Acredito que alguém que tenha estudado política e história de Portugal saiba tudo sobre os antigos reis e presidentes do nosso país. Mas quase que aposto que a eles podemos perguntar qualquer coisa sobre arquitectura, arqueologia, medicina, ou qualquer outra área do saber, que pouco ou nada saberão.
Os jovens de hoje aprendem e apreendem o que gostam. Talvez a grande maioria não saiba quem foi o primeiro presidente de Portugal, porque talvez isso nunca fosse importante. Saber a resposta a essa pergunta não tira o nosso país do caos e crise económica actual. Não dá emprego a quem não tem, não traz mais dinheiro ao fim do mês. No entanto, perceber sobre futebol ou automóveis trás conversas de café, criam-se amizades, constrói-se um ideal de vida e de dia-a-dia após trabalho (para quem trabalha). Saber quem foi o primeiro presidente do nosso país talvez só nos traga a vergonha à memória. E a pena de que um país tão imperial como foi em tempos se tenha rastejado aos pés da República dita "democrática".

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