Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

"Latim morto?"



Aqui vai um artigo sobre o ensino do Latim e do Grego no Secundário, escrito para o site EDUCARE, com uma participação especial aqui da casa...

  

«Pode ser uma língua morta, mas não é uma aprendizagem moribunda. Quem o prova são os alunos da Escola Secundária Rodrigues de Freitas que, este ano, participam em concursos europeus de língua latina e grega.


Seis alunos da Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, participam, este ano, em iniciativas internacionais de estudos clássicos. Ao EDUCARE.PT contam-nos do encanto pelo Latim e Grego, pelos autores e a cultura que nos fez como somos hoje. E de como se sentem "arrumados num cantinho" do panorama educativo.

Pela segunda vez, Mariana Silva faz as malas para se deslocar a Itália. O ano passado viajou até Arpino e, este mês, participa no concurso de Ovídio, em Sulmona. "É uma oportunidade fantástica e inesquecível", contou ao EDUCARE.PT. Depois de dois anos de Latim, Mariana, que frequenta o 12.º ano, inscreveu-se em mais um ano da língua. Mas o número insuficiente de alunos (tinha só mais uma colega na mesma opção) inviabilizou a matrícula.

 

A indiferença portuguesa para com os clássicos contrasta com a adesão do resto da Europa. "O que mais me surpreendeu em Arpino foi ter contactado com alunos que louvam os clássicos de uma forma que nós não fazemos", comenta. Alexandra Reis, professora de Estudos Clássicos na Rodrigues de Freitas, completa a ideia. "Nós vemos nestes concursos setecentos alunos da Europa inteira, muitos vindos de áreas tão diversas como a Medicina ou a Engenharia", constata.

 

Como afirma Afonso Cabral, o único rapaz do grupo de seis estudantes de Estudos Clássicos, "hoje, o Latim e o Grego estão empurrados para o cantinho do agrupamento". Porquê? "Por uma questão política", acredita Alexandra Reis. E explica: "Na escola temos conseguido manter o interesse dos alunos para esta área e, no entanto, o Ministério da Educação continua a fechar estas opções".

 

No Porto, além da Rodrigues de Freitas, apenas o Colégio dos Órfãos oferece as variantes de Latim e Grego. Mariana tem um palpite. "As pessoas continuam a associar muito o latim à igreja, é uma língua morta, que já não se fala em lado nenhum", enuncia. Mas, para estes alunos, o fascínio dos clássicos está para além da imagem bafienta que se tenta colar aos estudos clássicos. "É ir à origem da origem", sintetiza Afonso Cabral.

 

Ao contrário do colega, que confessa uma curiosidade já antiga pelos clássicos, Ana Duarte foi ter ao Latim mais por acaso do que por intenção. E achou-se "encantada pela língua". Ana está inscrita para o concurso de Horácio, em Venosa, e é fiel à primeira paixão: o Latim. Afonso pende para Isócrates, o autor que o fez mergulhar no contexto social, filosófico e política da Grécia dos séculos IV e V antes de Cristo. Para Mariana, o Latim ajudou-a a compreender as bases da nossa cultura e deu-lhe um treino mental inesperado na vertente das línguas.

 

Para além da aprendizagem linguística pura e dura, o estudo do Latim e do Grego implica, sempre, o conhecimento da cultura clássica. Estes alunos (à excepção de Mariana, que não se inscreveu em Grego) somam dois anos de Latim e alguns meses da língua e cultura gregas. O grupo "discreto" (como os chama Afonso) da Rodrigues de Freitas foi viajando pelo quotidiano romano, assistiu às guerras de Peloponeso, à ascensão e queda do Império Persa, descobriu a mitologia grega.

 

Mas não é só de um passado longínquo que estamos a falar. Mariana, por exemplo, encontrou Cícero em Padre António Vieira. E desvendou uma herança comum a vincular a diversidade de países presentes nos concursos em Itália. "Os estudos clássicos são uma forma de unir a Europa pelo passado comum", remata.»


Teresa Sousa | 2008-04-07

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Publicado por Afonso Reis Cabral às 21:50
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1 comentário:
De Anónimo a 10 de Abril de 2008 às 00:16
Ai o latim...
Para que conste EU tambem estudei latim, e tambem merecia ser citada neste artigo como alguns dos meus colegas!
Ai ai ai...

Rita M.

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