Sábado, 2 de Dezembro de 2006

Há coisas fantásticas, não há?



No Expresso desta semana, Miguel Sousa Tavares escreve na sua habitual coluna um texto intitulado “Dois casos exemplares”, só falarei sobre o primeiro.
A TV-Cabo lançou uma campanha publicitária em que um pobre homem de nome Pedro perde a família por não ter TV-Cabo a 15,50 € por mês. Este pobre homem encontra em cada quarto da sua casa uma «carta de demissão», isto é, cada ente querido parte porque este ainda não aderiu ao novo pacote de canais e a vida em família assim não é comportável. Até a empregada Deolinda parte, deixando um papel que diz o seguinte: Sr. Doutor, tantas divisões para limpar e ainda não temos todos os canais espalhados pela casa? Demito-me, Deolinda.
Uma vergonha.
Miguel Sousa Tavares põe o dedo na ferida, mas cai seguidamente no extremo de dizer que a TV-Cabo “deve pagar esta ousadia com uma multa suficientemente grande para a fazer lamentar o quanto ofendeu e não voltar a ter a tentação de repetir a brincadeira no futuro.” (Seguindo-se uma rajada de multas que se deviam aplicar, nomeadamente à agencia de publicidade.)
Vamos lá ver: concordo plenamente quando Miguel de Sousa Tavares diz que é uma vergonha a leviandade ética e desrespeito pela família que esta campanha publicitária demonstra, mas daí a multar a TV-Cabo vai um grande passo. A única coisa que se pode fazer contra esta campanha da TV-Cabo (e outras) é escrever sobre o assunto demonstrando revolta pelo atentado contra a família que ela efectivamente é e, se se quiser, não aderir. Ponto final.
Mas, realmente, vendo o anúncio, até apetece aplicar uma sançãozinha, mas como é óbvio tal situação não se pode verificar. (Se seguir-mos esse caminho, quase toda publicidade que para aí se vê era corrida a tiro monetário de metralhadora.)
Há coisas fantásticas, não há?

Publicado por Afonso Reis Cabral às 15:08
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John Osborne
in A subject of scandal and concern

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