Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Votei em...

O concurso O Maior Português de Sempre tem dado azo a muito falatório e é certo que a pergunta «Quem é o maior português de sempre?» abriu já um largo debate histórico, pelo menos no círculo que me rodeia.
Em 863 anos de história e de grandes portugueses, escolher o maior dos maiores é uma tarefa no mínimo árdua.
Acabei por chegar à conclusão que entre os grandes não existe um maior e a comparação entre eles não é possível.
Tendo em conta isto, entra em jogo na escolha um factor que é inerente a cada votante: o relacionamento que cada um tem com uma determinada figura grande da história de Portugal.
(É por ventura muito difícil comparar D. Afonso Henriques com D. João I, um criou Portugal e outro, salvando-o de Castela, sedimentou a sua nacionalidade. Este é um dos inúmeros exemplos que se poderiam dar…)
Por tudo isto, cheguei à conclusão que o português que elejo, o português escolhido, é Eça de Queiroz. Eça é neste momento da minha vida um personagem histórico que mexe com o meu quotidiano, que me inspira com os seus fabulosos e actuais artigos, contos e romances. Eça de Queiroz reescreveu também toda uma língua mais ou menos cansada e introduziu discórdia na sociedade de fins do século XIX, em muitas coisas parecida com a nossa sociedade de inícios de século XXI. Eça, por fim, viveu no mundo das letras, mas sempre com uma forte percepção da realidade.
Todas estas características me levaram a votar naquele que, neste momento, preenche todos os requisitos de um grande português.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 20:50
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1 comentário:
De Pico della Mirandola a 9 de Novembro de 2006 às 23:25
Embora me pareça que o programa que o origina, parte de uma premissa muito básica: "Qual o maior português?", conceito tão vasto quanto de dificil definição, tantos e tão relevantes são os grandes portugueses deste país "velho" de quase 900 anos, tem pelo menos o mérito de por um lado nos levar a discutir sobre o assunto e por outro trazer até ao nosso conhecimento muitos nomes que embora grandes não são tão conhecidos (ainda hoje conhecemos mais um na RTP).
Como é possivel escolher um de entre tantos, de tantas áreas tão diversas, de tão diferentes épocas e contextos? Desde verdadeiros génios das artes: Almada Negreiros, Camilo, Souza Cardoso, Paula Rego, Eça, Pessoa, Siza, Viana da Mota, nomes grandes do pensamento e da ciência: António Damásio, Damião de Góis, Garcia de Orta, Sobrinho Simões, gente de enorme coração: Aristides Souza Mendes, Fernando Nobre, tantos anónimos (alguém um dia designou o "soldado desconhecido"), até, inevitavelmente, aos nomes grandes da época de ouro de Portugal (altura em que fomos verdadeiramente grandes): os pensadores Infante D. Henrique, D.João II, D.Manuel I e os "executantes", desde logo Gil Eannes e Bartolomeu Dias a Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Afonso Albuquerque e -porque não?- Fernão de Magalhães.
De imediato, seria tentado a eleger alguém do 1º grupo (das artes) por mais me identificar com estes, no entanto, O MAIOR português deverá ser -pelo menos assim o entendo- alguém que tenha conseguido uma dimensão histórica verdadeiramente universal (e não limitada a um reduzido numero de conhecedores e especialistas). Neste sentido, julgo que só poderá ser alguém da época em que Portugal faz parte de todos os volumes de História Universal: os descobrimentos!
Mais importante que saber quem foi o maior português, será -para mim- como bem o disse Vasco Pulido Valente, o quanto esta escolha dirá dos portugueses de hoje (veja-se o eterno debate em torno da figura de Salazar).
Aguardo com expectativa o nome dos 100 que servirão de base à nova e definitiva escolha...
Para mim para o resultado final será fulcral a relevância e o grau de conhecimento que as pessoas têm de cada figura: donde, estou certo que irá ganhar D.Afonso Henriques, o Infante D. Henrique ou então a Amália, o José Mourinho ou o Figo ...

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