Domingo, 31 de Dezembro de 2006

Último dia do ano (2)

Quando um novo ano dobra
Velhos infortúnios ficam.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:50
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Último dia do ano

Hoje à noite a mediocridade compete por audiências!

Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:31
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Sábado, 30 de Dezembro de 2006

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades II

No seguimento deste post, fui à procura de objectos parados no tempo.


Publicado por Afonso Reis Cabral às 12:57
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

A floreira está partida

- Pois, e saem daqui a rir-se! Isto tudo só para dizer que estas coisas não se fazem. Eu até pus ali uma floreira para não porem os carros à frente da puta da janela mas mesmo assim eles continuam a parar aqui os carros. Já uma pessoa não pode… Caramba e depois tem dum lado carros, do outro carros. Eu antes até tinha uns vasos, mas a catraiada vinha por aí à bola e lá iam os vasos!
- Pois minha senhora…
- Ai se eu soubesse, que merda viver num rés-do-chão. E o Armindo lá de cima tem dois carros e não sabe como é q’é a vida anda pr’aí a armar-se e eu não tenho vida para isto. Ainda noutro dia ele me tirou a floreira para o lado e ainda teve a lata de ir lá dentro dizer que era para pôr o carro. Ah, pois. E se o meu filho não fosse bem educado já lhe tinha mandado um ou dois, agora o tipo a ir chatear a mãe e a mulher, pois, porque isto assim não. Ele até disse ao Armindo para pôr o cu a andar pela puta da porta que ainda apanhava.
- Pois minha senhora…
- Claro que está visto. Quando a casa da dona Preciosa for vendida eu vou dizer para porem também lá uns vasos porque isto assim está uma porcaria, badalhocos! Ainda por cima o gato apanha a ratice e não os come. Ainda no outro dia foi pôr lá à frente da casa da Maria da Luz um. É que não os come! Até tenho medo que o meu netinho mexa num desses bichos, é isso e o sol, ponho-lhe sempre um chapéu. Muita água, é preciso muita água sabe?
- Pois sim minha senhora…
- E depois saem daqui a rir-se porque pensam que gozam com as pessoas idosas. Eu não tenho vida para esta merda.
- Pois sim minha senhora, mas já falou com o Armindo para ele meter um dos carros à frente da garagem?
- Não, porque é que havia de falar? Já quando ele para aqui veio eu já cá vivia. A árvore ali à frente também deixa cair muitas folhas e eu não estou para isto, não tenho saúde.
- Olhe, desculpe minha senhora mas eu tenho de me ir embora, sim?
- Pois sim, fogem todos com o cu à seringa! Eu é que tenho de fazer tudo.
- Pois sim minha senhora, mas tenho mesmo que ir…
O calvo homem de costas curvadas saiu pelo túnel e seguiu caminho pela rua. Dois andares a cima Armindo descia as escadas.
- Ó senhor, tire mas é daqui o carro!
- Desculpe?
- Sim sim que isto não pode ser assim. Quer ver, quer ver que até tenho uma carta da senhoria sobre as floreiras? Eu já volto, espere aí ouviu?
- Mas minha senhora….
A carta de papel timbrado estava na cozinha, junto da pequena faca com que a Mulher acabara de cortar o tomate. Pegou nos dois.
- Vê aqui?
- Ó minha senhora, espere só um bocado que…
- Não espero nada, isto assim não pode ser! Eu até pus ali a floreira para não porem os carros à frente da puta da janela mas mesmo assim vocês continuam a parar aqui os carros. Já uma pessoa não pode…
- Sim sim, mas eu vou buscar as chaves do carro.
- Não me interrompa ouviu? Leva já duas que eu sou uma mulher de respeito.
- São só dois minutos…
- Já vais ver...!
O golpe desferido dilacerou a garganta de lado a lado, um esguicho espesso cobriu a faca, a mão e o braço da Mulher. Uma repentina tosse cavernosa apoderou-se de Armindo que morreu batendo com o crânio na ponta da floreia com singular violência. Um ou dois espasmos e a poça de sangue era já o leito de morte do cadáver de Armindo. Ainda com o papel na mão, pingando o viscoso liquido que lhe escorria pelo braço caindo pela ponta da faca diz a Mulher:
- Merda, a floreira está partida!

Publicado por Afonso Reis Cabral às 13:04
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

Um romance...

... é como um arco de violino, a caixa que produz os sons é a alma dos leitores. Stendhal
Publicado por Afonso Reis Cabral às 13:15
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Pequenas coisas IV

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Alexandre O'Neill (primeira estrofe do poema Gaivota)
Publicado por Afonso Reis Cabral às 13:00
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

Tratar os bois pelos nomes

Acabo de ver um programa na televisão em que falavam muito bem de um determinado Afonso, meu homónimo. O Afonso para aqui, o Afonso para ali…
Eu até já estava a simpatizar com esse famigerado Afonso quando ouvi subitamente:
- Vem aí o Afonso!
A porta abre-se e um pastor alemão surge esgueirando-se por entre os móveis. Ninguém me demove: é ridículo e de mau gosto dar nomes de humanos a animais.
Que se respeite a antroponímia!
Publicado por Afonso Reis Cabral às 15:37
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TVI Porto

De rir às gargalhadas!(Via 31 da Armada)

Publicado por Afonso Reis Cabral às 12:05
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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades



Encontrei estas embalagens numa drogaria e não posso deixar de ficar impressionado. Mantêm o mesmo design e o produto é o mesmo de há 50 ou 60 anos.
Quem é que ainda compra Pó de Sabão Confiança?
(Talvez alguém que julgue que a três euros e trinta pode ter a lembrança viva do passado, no tempo em que. Alguém já muito velho que tem naquela caixa a nostalgia do seu tempo, quando passava o pó com gosto pela cara que agora envelhecida tenta parecer-se com o que era, através do Pó de Sabão Confiança. Por três euros e trinta o acesso ao passado como quem abre uma porta.)
E quem produz e tem lucro com este Pó de Sabão? Quem persiste, insiste?
(O negócio melhorara e houve, no seu tempo um pico de vendas e, depois disso, manteve-se sempre fiel às glórias de outros tempos. Depois morreu.
O filho deste comerciante manteve por teimosia e por respeito à memória do seu pai o Pó de Sabão Confiança que ao abanar a caixa se escapa pelas frinchas e enche tudo em redor de uma camada branca fina e de cheiro doce. Como nos velhos tempos. No seu tempo apenas teve que fazer uma alteração no produto (e já era uma traição à memória e, logo, à nostalgia), teve que imprimir em letras modernas, no lado direito da caixa, a lista de ingredientes em inglês. Sodium tallowate, cocunut oil, fragance, talc powder.
Quem diz Pó de Sabão Confiança, diz Cutoline, diz Olex (precioso preparado que restitui aos cabelos a sua cor primitiva!)…
Pode ser tudo isto, pode não ser, mas o que fica na minha alma é quase a mesma nostalgia de produtor e comprador do Pó de Sabão Confiança.
São eles, ao fim ao cabo, que atribuem uma nuance de poesia ao decorrer dos tempos e que, sós, tentam contrariar o soneto (esse sim, sem tempo nem data): Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 11:23
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

URNA

Aqui vão os resultados da votação na nossa urna.

Concorda com a TLEBS?
SIM - 3 votos (13%)
NÃO - 20 votos (87%)
Publicado por Afonso Reis Cabral às 18:38
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Estou a ler...


...uma biografia de Fidel Castro escrita por Serge Raffy e editada pela Verbo. Até agora (página 80), Fidel Castro não passa de um gangster arruaceiro com uma sede imensa de poder e de auto-promoção e que por isso se inclina para onde o vento sopra.
Deambulou da direita para a esquerda com a maior das leviandades. Há quem diga que os opostos se atraem.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 10:00
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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006

Américo Thomaz dixit

Aqui vão um conjunto de frases disparadas por Américo Thomaz, Presidente de Portugal entre 1958 e 25 de Abril de 1974. É verdadeiramente impressionante…
As citações não precisam de qualquer tipo de comentário!

“É a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive.”

“Hoje visitei todos os pavilhões, se não contar com os que não visitei.”

“Comemora-se hoje em todo o País a promulgação do Despacho número Cem, um texto de grande importância para a Marinha Mercante de Portugal, e a que foi dado esse número, não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriormente promulgados.”

“A minha boa vontade não tem felizmente limites. Só uma coisa não poderei fazer: o impossível. E tenho verdadeiramente pena de ele não estar ao meu alcance.”

in Frases que Fizeram a História de Portugal
Publicado por Afonso Reis Cabral às 08:50
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

Expressões Natalícias

Bom Natal para ti e para os teus

Boas Festas

Santo Natal para ti e para a tua família

Continuação de um Santo Natal

Feliz Natal

Merry Christmas (esta costuma aparecer muito nas lojas de chineses)

Feliz Navidad (só para dar um toque internacional)

e depois temos aquelas mensagens azeiteiras de bom natal que não vou reproduzir para conseguir ser levado pelo espírito da época...



Publicado por José Tomás Costa às 17:48
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Feliz Natal!



Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirínio governador da Síria. E iam todos recensear-se, cada qual à sua própria cidade. Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de recensear-se com Maria, sua mulher, que se encontrava grávida. E quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver para eles lugar na hospedaria.

São Lucas
Publicado por Afonso Reis Cabral às 11:17
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Sábado, 23 de Dezembro de 2006

Família só custa 15€50 por mês!

E por fim cedeu.
Comprou a família, pura e simplesmente. A empregada, já com os canais espalhados por toda a casa, voltou para fazer o seu serviço e até me admira não haver um cão algures que também não suportava viver naquela casa e que agora volta.
A trama completa-se com o último anúncio da TV-Cabo: vê-se toda a família reunida no sofá (empregada incluída), sorridente e feliz por finalmente ter os seus canais desejados! Há mesmo o toque final do sorriso sedutor que a mulher de Pedro lhe lança: têm assim um casamento feliz.
É fantástico como se consegue ter uma família unida apenas por 15€50 por mês!
Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:54
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Cornell University Library

O meu livro Condensação (11-11-2005) está na Cornell University Library, uma das melhores bibliotecas dos EUA. A CUL albergava em 2005 sete milhões e meio de volumes (agora tem pelo menos mais um !) entre outros números impressionantes.
É caso para dizer que o livro dorme lá bem aconchegado.
Aqui vai a ficha que se consegue obter do catálogo online. Basta carregar sobre a imagem para ver melhor.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 16:39
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Valsa de outrora

Já não sinto meus pés dançar
na longínqua valsa de outrora.

Já nem minhas mãos acompanham
quem levo nos braços.

(Nem quem vem nos braços
segue o ritmo certo onde me agito.)

E nada, nada é já o que era.

Como já tudo esmorece,
já nada se ergue
e
então,
sempre
sempre
(neste momento e noutros)
esta dança que cumpro
é o recordar os passos que dei
no tempo em que era eu.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 13:38
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Recortes de Jornal (4)

Diário de Notícias (14-04-1940)
Publicado por Afonso Reis Cabral às 13:29
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Quotas: a maior discriminação

Estou perfeitamente convencido que ontem em Espanha se deu um (ou dois) passos atrás na igualdade entre sexos. O parlamento espanhol aprovou a lei da paridade eleitoral com o objectivo de atingir a quota de 40% de presença feminina, inclusivamente nos concelhos de administração das empresas.

Isto é pura discriminação!

Se antes as mulheres se queixavam de desigualdade, agora têm necessariamente que se queixar muito mais.
Com esta lei da paridade reporta-se a mulher ao estatuto de incompetente, precisando assim da obrigatoriedade para ser contratada, quer se tenha valor, quer não. Ou seja: aquelas mulheres que lutam (como os homens, que também lutam) por um bom posto devido ao seu mérito próprio têm agora a incerteza de terem sido contratadas pelo simples facto de pertencerem ao sexo feminino, o que não há mérito nenhum. O contrário também se verifica, como é lógico.
Esta lei aprovada quase em unanimidade revela uma enorme atitude discriminatória: parte-se do principio que as mulheres são inferiores e que, por isso, precisão de quotas para singrarem.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 08:21
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Feliz solstício a todos!

Caros ateus e ateias (e outras pessoas sem religião),

a noite de hoje será a mais longa do ano em todo o hemisfério norte do nosso planeta. A partir de amanhã, os períodos diários de luz aumentarão novamente.O ponto de viragem que a noite de hoje constitui, e que se deve a factos elementares do nosso planeta, justifica que seja assinalada. E porque prezamos a liberdade, da forma que cada um quiser. Provavelmente será natural procurar os amigos ou a família, estar com quem se gosta e comer e beber bem. Porque a falta da luz do sol pode provocar uma certa angústia e gostamos de ser confortados.Não é necessário iludirmo-nos com deuses. Nenhum sacrifício, jejum ou pensamento que façamos tornará o regresso da luz menos inelutável. A ciência garante-nos que teremos mais e mais luz a partir de amanhã.

(in Diário Ateísta)

Bonito, não é…? (Neste momento não consigo uma análise melhor pois estou demasiado contente, em júbilo, pela escuridão que agora desaparece, dando lugar à luz duradoura!)

Publicado por Afonso Reis Cabral às 07:57
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"I should find myself degraded if I descended to finding out if my convictions suited every man in the audience before I uttered them."
John Osborne
in A subject of scandal and concern

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