Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Democracia ou anarquia?

Começa por agora o debate sobre o aborto a aumentar na nossa sociedade. E, embora atrasado, aqui vem o comentário a um discurso que ouvi de um deputado do PS (não sei, nem quero saber quem é) há cerca de uma semana.
Este ser blafesmou que "o estado não pode impor a moral aos cidadãos", ou coisa que o valha. Está bonito! Então quer isso dizer que eu já posso, como tanto quero, dar um tiro ao vosso 1º ministro (meu não é, porque eu ainda sou português) sócrates, como tanto quero, que o estado agora não impõe a norma moral do não matar, não indo eu preso? Ou talvez, sr deputado, a sua profissão não faça sentido, já que o sr está aí para fazer leis e as leis seguem determinadas condutas morais, que não podem ser impostas pelo estado. Posso roubar um banco?
Pois então é isso! Holanda é que é bom, mas quanto mais holandesa for, melhor! Até mesmo melhor que os Países-Baixos, que aí ainda vão impondo umas certas regras!
Acontece que, ao dizer que o estado não pode impor moral e estando o sr a representar o estado, sendo essa ideia que defende mais uma norma moral, o sr deputado está-se a contradizer.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 23:52
link para a posta | Comentar | Ver comentários (1)

750 milhões

hoje veio a grande notícia da oferta de Cabora Bassa a Moçambique.
Do encontro entre um ditador socialista e um aspirante a esse cargo tinha sempre de resultar nisto: o país do segundo em crise, com este a mandar apertar o cinto, o primeiro sem saber gerir o seu, e vai o segundo oferecer-lhe de mão beijada uma das maiores hidroeléctricas mundiais, feita inteiramente por portugueses (eles foram hetero-auto-determinados por uns soldados de há 30 anos, pelo que a dita barragem devia voltar para casa).
Mas, voltando ao assunto, nós ficamos com 15% das acções (devem ser aqueles 15% que servem para pagar aos funcionários da barragem no fim do mês), enquanto o resto fica para a FRELIMO disfarçada de estado, por 750 milhões de euros. O que à primeira vista parece muito gasta-se em pouco tempo: tendo em conta que Portugal tem 1 milhão de funcionários públicos a ganhar uma média de 500€ mensais (o que é mais), vai-se tudo num mês e meio.
Isto é que é negócio! Há que apostar nas energias renováveis e, assim, mostramos aos nossos "irmãos mais novos" que afinal uma barragem até é baratinha.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 23:14
link para a posta | Comentar

Portugal pride V

NA IMAGEM: Portugal is acknowledged as being the world’s leading cork producer. But there are also some lesser known areas in which it leads.Did you know that Number Five has captured 75% of the world market for self-identification? And have you heard of Altitude (leading supplier of technology for call centres and CRM), and what about Chipidea (world leader in the design of analog solutions that provide the interface between digital technology and the real world)?

NA IMAGEM: Did you know that Portugal is building Europe’s largest solar power station? And that wind power is the main target for investment? Have you heard of SRE? This is a Portuguese company that researches and develops products based on the use of hydrogen. All of these are aimed at new forms of energy – economical, clean and peaceful.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 20:14
link para a posta | Comentar

Entrevista ao camarada Jerónimo


No domingo vi uma entrevista da Maria João Avillez ao camarada Jerónimo. Aquilo é que é uma entrevista! E o camarada Jerónimo com aquele punho cerrado e aqueles olhares entre os óculos e as arcadas supraciliares fazia estremecer qualquer usurpador ou explorador...

Estava tudo a correr bem até que a Mª João começa a apertar, o camarada deixa de ter vigor no punho, começam os suores frios e cai largando um grito desesperado: o capitalismo é responsável pela perca de segurança, direitos e liberdades, diz o camarada. Mas que desgraça.

Esta parte final da entrevista deixou-me de rastos. Fiquei sem forças nas pernas e fui a cambalear para a cama. Este pensamento não me largou a noite toda, fui perseguido até à exaustão pelo papão do capitalismo, esse monstro horroroso, esse explorador.

Podia encontrar um romance ou um conto que desse para fazer uma metáfora com esta ideia no mínimo infeliz, mas ainda estou aterrado... Tão aterrado que deixo uma análise mais séria para outro dia
Publicado por José Tomás Costa às 08:50
link para a posta | Comentar
Segunda-feira, 30 de Outubro de 2006

Portugal pride IV

NA IMAGEM: Did you know that Portugal leads the world in footwear technology?That it is Europe’s No. 3 exporter? That it invented bullet-proof shoes?Ninety million people in the world choose Portuguese shoes. Steven Spielberg is one of them: the Portuguese brand Swear supplied the shoes for Star Wars. And Fly London, Yucca and Aerosoles just keep growing.


NA IMAGEM: Did you know that it was Portugal that invented pre-payment cards for mobile communications?And that in Portugal you can buy a cinema ticket and choose where you sit – by mobile phone? Mobycomp, Quadriga, Ydreams(creator of technological solutions for global customers such as Adidas, Vodafone or Nokia) and of course, Portugal Telecom, are the world’s most innovative companies in this sector
Publicado por Afonso Reis Cabral às 15:06
link para a posta | Comentar
Domingo, 29 de Outubro de 2006

Efemérides

Um curioso candidato da primeira volta às presidenciais do Brasil…

Publicado por Afonso Reis Cabral às 18:31
link para a posta | Comentar

Portugal pride III

NA IMAGEM: Did you know that leading celebrities prefer to wear Portuguese brands?The same is true of Fepsa, manufacturer of felt hats or Vicri, a brand of menswear chosen by such leading figures as Tony Blair, the King of Spain, and Bill Clinton. It is also worn by celebrities like Hugh Grant, Ben Affleck and Luís Figo. And the list goes on: Lanidor, Dielmar, Diniz e Cruz, Ímpetus, Salsa Jeans are some of the brands you will hear about.


NA IMAGEM: Did you know that the Portuguese company Vista Alegre /Atlantis is one of the 10 main porcelain producing groups in the world?Other major brands such as Spal, Topázio, Cutipol or Sátira offer creativity and design for a happier home.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 18:14
link para a posta | Comentar | Ver comentários (1)

Pequenas coisas


Posto dos correios n.º 36A, Caldas da Rainha
Publicado por Afonso Reis Cabral às 08:39
link para a posta | Comentar
Sábado, 28 de Outubro de 2006

Portugal pride II

NA IMAGEM: Did you know that 26 million Americans sleep on Portuguese sheets?And that Portugal leads Europe in home textiles and is the third largest exporter in the world?Portuguese brands stand out because of their sheer innovation: intelligent fabrics, fabrics that are fire-retardant, anti-bacterial or have therapeutic and hydrating properties.

NA IMAGEM: Did you know that Portugal is a state-of-the-art point of reference and reliability in the moulds industry?Samsonite, Nokia, Mercedes-Benz and Porsche are just some of the famous names that rely on Portuguese talent and engineering.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 14:19
link para a posta | Comentar

Nasceu um (não) blogue

Nasceu um novo blogue. O blogue do não é um espaço de discussão dedicado ao aborto. É um blogue provisório, só se manterá até ao referendo. Um conjunto de blogguer's de diversos blogues participam.
Uma grande iniciativa que garante boas discussões e, mais importante ainda, diálogo sério...
Publicado por José Tomás Costa às 12:01
link para a posta | Comentar
Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

Tocarás tu a campainha?


«No fundo da China existe um Mandarim mais rico que todos os reis de que a Fabula ou História contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste. Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que toques essa campainha, posta a teu lado, sobre um livro. Ele soltará apenas um suspiro, nesses confins da Mongólia. Será então um cadáver: e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição dum avaro. Tu, que me lês e és homem mortal, tocarás tu a campainha?»
Teodoro somos todos nós e há um momento em que nos é dada a possibilidade de tocar à campainha.
O Mandarim lá no fundo da china, por não se ver, conhecer, sentir ou ouvir, não deixa de ser um ser humano que vive. É este o grande problema moral em O MANDARIM de Eça de Queiroz.
Aqui se pode construir um paralelo íntimo e real com o aborto.
O semblante da criança que cresce no útero da mãe não se conhece, a sua vida não se sente e o seu nome ainda não foi dado. O Mandarim é uma entidade vaga aos olhos de Teodoro, nunca o conheceu e para que todos os problemas que lhe afloram o quotidiano acabem basta que ele toque a campainha.
O bebé, à semelhança do Mandarim, soltará apenas um suspiro inaudível sem nada poder fazer. Ti-li-tim…!
Teodoro duvidava até da existência do Mandarim porque nunca o tinha visto, nunca ninguém lhe provara com factos palpáveis e universais que aquele velho vivia, nunca ninguém lhe mostrara o papagaio que o velho senhor bramia no momento em que tocaram à campainha.
«E agora note: é só agarrar a campainha e fazer ti-li-tim. Eu não sou nenhum bárbaro: compreendo a repugnância dum gentleman em assassinar um contemporâneo: o espirrar do sangue suja vergonhosamente os punhos, e é repulsivo o agonizar dum corpo humano. Mas aqui nenhum desses espectáculos torpes…»
Este indivíduo corpulento, todo vestido de preto, de chapéu alto, com as duas mãos calçadas de luvas negras gravemente apoiadas ao cabo dum guarda-chuva é o Estado que propõe a Teodoro a possibilidade efectiva de tocar à campainha desde que até às dez semanas.
Teodoro disse sim.
Ah! Então todos os seus problemas pareciam ter acabado! «Então não hesitei. E, de mão firme, repeniquei a campainha.»
Sofreu, morreu realmente, se é que era vivo?
«-Pobre Ti-Chin-Fú…!
- Morreu?
- Estava no seu jardim, sossegado, armando, para o lançar ao ar, um papagaio de papel (…). Agora jaz à beira dum arroio cantante, todo vestido de seda amarela, morto, de pança ao ar, na relva verde.»
Esta é a forma mais fácil de acabar aparentemente com todos os problemas, e agora o Mandarim jaz irremediavelmente morto.
Teodoro entrega-se a tempos de deleite, mas pouco tempo depois os remorsos chegam na forma de um terrível fantasma segurando um papagaio de papel. Tudo faz para tentar remediar o que sente, enveredando até numa viagem à China para conhecer a família do velho senhor morto. Tudo em vão. Tenta recorrer ao indivíduo de chapéu alto, mas estava inalteravelmente só e abandonado.
Teodoro não precisou de castigo, nunca foi preso, ninguém nunca o repudiou mas mesmo assim na consciência o peso de uma vida que nunca conheceu dilacera a sua existência. O pior castigo foi o remorso avassalador, corroendo-lhe o peito.
Se nunca tivesse tido a opção de tocar a campainha nunca o teria feito e hoje, algures entre nós, viveria ainda o Mandarim.
O fantasma nunca o abandonou e foi assim que concluiu o relato do seu infortúnio:
«E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta ideia: que do Norte a Sul e do Oeste a Leste, desde a Grande Muralha da Tartaria até às ondas do Mar Amarelo, em todo o vasto Império da China, nenhum Mandarim ficaria vivo se tu, tão facilmente como eu, o pudesses suprimir e herdar-lhe os milhões, ó leitor, criatura improvisada por Deus, obra má da má argila, meu semelhante e meu irmão!»
Publicado por Afonso Reis Cabral às 21:51
link para a posta | Comentar | Ver comentários (6)

Portugal pride

«Portugal today more than you can imagine.»

Estas são as primeiras duas imagens acompanhadas de texto sobre Portugal que irei aqui por durante nove dias consecutivos.
Esta é uma campanha de propaganda de Portugal em inglês e a sua composição gráfica está excelente.
Penso que é uma boa oportunidade para conhecer um pouco mais o nosso país e as diversas áreas onde estamos na ponta da Europa e do mundo.

«This about a country you don’t know.
It’s about facts that will surprise you.
It’s about brands that are all over the world, often on your doorstep, but you do not realise where they come from.»


NA IMAGEM: Do you know what NASA and ESA (European Space Agency) do to avoid critical situations arising in their computer systems? And what does London Underground or the railway networks of The Netherlands, Norway, Finlandand Denmark do when they need rail management software? They go to Portuguese companies.Critical Software is a global point of reference in the development for critical information systems. Meanwhile, SISCOG continues to attract the world’s most demanding customers.

NA IMAGEM: International demand for machinery made in Portugal (moulds, electronics, automotive components, pneumatic and hydraulic equipment, etc.) continues to grow and assist the development of countries throughout the world.Did you know that machinery is Portugal’s No. 1 export?


Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:03
link para a posta | Comentar
Quinta-feira, 26 de Outubro de 2006

Entrevista a Lobo Antunes

Hoje, dia 26 de Outubro, depois do telejornal da RTP, o grande escritor António Lobo Antunes irá ser recebido por Judite de Sousa no programa Grande Entrevista.
Lobo Antunes acaba de lançar o seu último livro e esta é uma boa oportunidade para conhecer um pouco mais o escritor e a sua obra.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 18:33
link para a posta | Comentar

Dostoievsky (II)


Ao ler o início de O IDIOTA imagino como serão os últimos momentos, os últimos instantes do início do fim e doutro começo. Como serão os cinco minutos antecedentes? (Ninguém sobreviveu à morte para contar a sua experiência.)
Como serão os últimos cinco? Os últimos cinco pensamentos, as últimas cinco lembranças, as últimas cinco esperanças, os últimos cinco desejos…
Até onde li, em O IDIOTA é a guilhotina o último ponto final.
Mas, como será a nossa guilhotina? A minha? A de cada um? E as dos que já foram?
Os últimos cinco minutos antes de ouvir o som do metal deslizante e de subitamente…
Os últimos cinco minutos em que se vive como cinco vidas. Esses minutos, esses cinco minutos, em que se poderá ouvir como nunca a música de uma vida, os sentimentos de uma vida.
Tudo em cinco minutos, nesses cinco minutos, cinco vidas, cinco instantes antes de um ou cinco momentos não serem nada.
Como serão esses últimos instantes intensamente vividos como a condensação de tudo e de nada? Haverá palavras para os descrever ou palavras para os viver e pensar, para os recitar?
E que momentos são esses os muitos que se passam nesses últimos cinco minutos? E o que serão cinco minutos para quem sabe que já não tem nem um segundo mais do que esse perfeito número do desespero ou reconforto?
Será aí, no instante de tudo, quando se ouve o som do metal deslizando que se compreende e se quer berrar e dizer «foi assim, vai ver assim»...
Nesse último segundo desses últimos minutos a total compreensão e os olhos abrem-se muito para receber uma luz final, um último inspirar e um mexer de dedos e a vida toda num segundo.
E quando o som do metal deslizante da guilhotina sussurrar já ao ouvido….
Publicado por Afonso Reis Cabral às 00:07
link para a posta | Comentar
Quarta-feira, 25 de Outubro de 2006

Fiódor Dostoiévski


A propósito do Idiota de Dostoiéveski, lembrei-me dumas passagens d'Os Irmãos Karamazov, do mesmo autor, que me ficaram marcadas.

A primeira passagem descreve aquilo que se passa na mente de um jovem personagem, Ivan, que está atormentado após uma conversa com o irmão:
"Na verdade podia tratar-se de um desgosto jovem causado pela inexperiência jovem e pela vaidade jovem, o desgosto de não ter conseguido expor as suas ideias"

A segunda passagem pela sua simplicidade:
"Portanto, é verdade o que dizem: com um homem inteligente é curioso conversar..."

Muito bom! Eu pessoalmente gosto muito dos romancistas russos, em especial Tolstoi e Dostoiéveski
Publicado por José Tomás Costa às 15:43
link para a posta | Comentar | Ver comentários (3)

Dostoievski


Comecei anteontem a ler O IDIOTA de Dostoievski e estou a gostar muito. É um livro, pelo que até agora pude perceber, repleto de passagens profundas e interessantes. Uma verdadeira obra-prima!
Gostava de transcrever aqui algumas linhas de um diálogo do livro que exemplificam isso mesmo.
Nesta passagem, o príncipe Muichkine, pretenso idiota, fala sobre a pena de morte.

« - Sabe o que penso? – retorquiu o príncipe com vivacidade - A observação que fez vem à ideia de toda a gente e é esse o motivo por que inventaram essa máquina chamada guilhotina. Mas pergunto a mim próprio se esta forma de execução não será pior do que as outras. Vai rir-se e achar a minha reflexão estranha; no entanto, com um pequeno esforço de imaginação pode ter a mesma ideia. Imagine o homem que submetem à tortura: os sofrimentos, as feridas e os tormentos físicos distraem das dores morais, de tal forma que até à morte a vítima só sofre na carne. Ora não são os ferimentos que constituem o suplício mais cruel, é a certeza de dentro de uma hora, dentro de dez minutos, dentro de meio minuto, no próprio instante, a alma vai deixar o corpo, a vida humana acabar, e isso irreparavelmente. A coisa terrível é a certeza. O mais terrível é o quarto de segundo em que se passa a cabeça sob o cutelo e se ouve o seu deslizar. Isto não é uma fantasia minha: sabe que muita gente pensa da mesma maneira? A minha convicção é tão forte que não tenho dúvidas em confessar-lha. Quando se mata um assassino, o castigo é incomensuravelmente mais grave do que o crime. A morte jurídica é infinitamente mais terrível do que o assassínio. Aquele que é morto pelos salteadores durante a noite, no meio dum bosque, conserva, mesmo até ao último momento, a esperança de conseguir salvar-se. Conta-se o caso de pessoas que, mesmo com a garganta cortada, ainda esperavam, corriam ou suplicavam. Ao passo que ao dar-lhe a certeza desse passo fatal, tira-se ao supliciado essa esperança que torna a morte dez vezes mais suportável. Há uma sentença, e o facto de a ela não se poder escapar constitui uma tortura tal que não há outra maior no mundo. Se puser um soldado, em plena batalha, mesmo à boca dos canhões, continuará com esperança até ao momento em que dispararem. Mas dêem a esse soldado a certeza da sua sentença de morte que ele enlouquecerá ou desatará a chorar. Quem disse que a natureza humana era capaz de suportar semelhante prova sem enlouquecer? Porque se lhe há-de inflingir uma afronta tão infame quanto inútil? Talvez haja no mundo um homem a quem tenham lido a sua condenação, para lhe imporem essa tortura, dizendo-lhe em seguida: «Vai, estás perdoado!» Talvez esse homem possa contar o que sentiu. Foi desse momento e dessa angústia que Cristo falou. Não! não há o direito de tratar assim o ser humano!»
Publicado por Afonso Reis Cabral às 12:46
link para a posta | Comentar
Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

O reflexo



As duas grandes séries que para aí grassam são um reflexo da nossa sociedade. Não quero de maneira nenhuma fazer uma análise da nossa sociedade porque seguiria uma tarefa demasiado extensa e complicada para mim, mas julgo poder, pelo menos, sintetizar alguns aspectos importantes desse tal reflexo.
A Floribela e os Morangos com Açúcar são uma grande porcaria em todos os sentidos: na falta de qualidade técnica, na falta de originalidade, na falta de moralidade, na promiscuidade, na fatuidade…. …. …. ….
Se eu quisesse continuar nunca pararia!
Agora (ponto essencial): que tipo de sociedade vê programas deste género? Com certeza que quem vê estas duas séries se identifica com o que elas transmitem.
É muito triste ver a degradação social a que se consegue chegar, a que uma grande maioria de portugueses conseguem chegar, vendo e promovendo como boas e interessantes essas telebodegada, dizendo que a Floribela é uma série própria para crianças e que os Morangos Com Açúcar são adequados para o crescimento dos adolescentes.
Desde quando é que uma ordinária e mexeriqueira mulher pintada como se fosse muito mais velha serve de exemplo a crianças de seis, sete, oito anos?
Desde quando é que fúteis adolescentes histéricos e promíscuos servem de exemplo a pessoas de dezasseis, dezassete, dezoito anos?
Desde quando é que este poço fundo e lodoso de valores serve de exemplo a quem quer que seja?

Estas duas telenovelas são um reflexo da nossa sociedade porque têm grandes audiências, porque as pessoas não se revoltam contra o baixo nível nelas presente.
Para além de tudo isto, são um reflexo porque as pessoas vendo-as só se podem sentir identificadas com os valores que elas transmitem. São um reflexo porque as pessoas não pegam no comando e mudam de canal!
Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:13
link para a posta | Comentar | Ver comentários (3)

Os imigrantes são bem vindos só quando a casa estiver arrumada

Provavelmente já aconteceu a toda a gente ter a casa desarrumada e aparecer um amigo ou conhecido sem avisar para fazer uma surpresa. É uma situação desagradável... não é que não gostemos da companhia mas gostaríamos de o receber melhor.
É uma situação semelhante à que deveria acontecer entre um país e os seus imigrantes.
Portugal não tem falta de mão d'obra, mas continuam a entrar livremente imigrantes dos países do leste, da África etc, uns ilegais é certo, mas muitos legalmente. O que aqui se trata é dos que entram legalmente.
O Reino Unido vai limitar a entrada de imigrantes romenos e bulgaros depois da sua adesão à UE com um fundamento muito justificado: "O número de romenos e búlgaros qualificados, autorizados a trabalhar no Reino Unido depois de 1 de Janeiro de 2007, será ditado pelas necessidades da economia". Ou seja, vai haver cotas anuais de entradas permitidas e os que não tem qualificações terão que provar que existe necessidade de pessoas na área em que se querem empregar.
Não é chauvinismo, nem racismo é simplesmente velar pelo bem comum dos cidadãos, uns ingleses outros estrangeiros, é velar pela economia nacional, quando não existe capacidade de empregar os que já cá estão não devem entrar outros.
Esperemos que este passo do Reino Unido seja um exemplo para Portugal.
Publicado por José Tomás Costa às 18:11
link para a posta | Comentar
Domingo, 22 de Outubro de 2006

Entrevista a Agustina Bessa-Luís



O SOL desta semana tem uma entrevista bastante interessante a Agustina Bessa-Luís. Jogando com respostas rápidas e perguntas concisas, a entrevista é divertida e rápida de ler.
Agustina não tem papas na língua e toca em muitos assuntos sensíveis sem rodeios, com frontalidade e cabeça.
«Falar de casamento entre pessoas do mesmo sexo é distorcer o seu sentido. Ao longo da vida conheci homossexuais brilhantes a nível intelectual que não eram capazes de encarar o casamento. Uma coisa são os homossexuais, outra são os maricas. »
«As elites intelectuais são de Esquerda? A Esquerda está situada numa espécie de colina com uma visão circular da sociedade. A Direita está fechada num bunker do qual não quer sair.»
«Mas seria capaz de matar para defender a casa, a família, o país? Era, isso era.»
«Fico mais espantada quando as pessoas dizem que gostam de mim. Não vejo razões para gostarem de mim porque eu também não gosto da maioria das pessoas [risos]. »
Estes são apenas alguns exemplos das respostas dadas pela escritora, vale a pena comprar o SOL só para ler esta entrevista.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 19:20
link para a posta | Comentar

Tauromaquia


A verdade é que as touradas são um espectáculo intenso de violência e sangue.
No entanto, independentemente disto, as touradas fazem parte da identidade de Portugal e Espanha, estão marcadas na história e na vida das pessoas desses dois países.
Tenho consciência da génese da tourada e, mesmo assim, não consigo deixar de gostar de quase tudo que envolve ritual da tauromaquia: a trombeta lá ao longe, o touro enfurecido, a figura esguia do toureiro, aparentemente impotente perante o animal, o cavalo numa dança sincopada e aflita e, por fim, a pega dos forcados, desprotegidos perante a massa de 600 quilos do enorme animal.
Isto faz parte da nacionalidade portuguesa.
Até que ponto é legítimo proibir as touradas, moldando assim sociedades distintas numa massa supostamente civilizada e sem personalidade?

Porém o facto de ser tradição não quer dizer que não seja um espectáculo que fira sensibilidades e que, no fim, mate touros.
No entanto, num mundo tão global, penso ser importante preservar as singularidades dos diversos países e não transformar as diferentes sociedades numa massa informe e impessoal.

Digo: não me importo que morram touros para que eu e muitos outros (muitos!) continuem a ter a sua identidade enquanto nação e o seu belo espectáculo de tauromaquia.
Ao dizer isto não me sinto diminuído, menos culto ou menos civilizado. Não é o gostar-se ou não de touradas que delimita a pouca ou muita civilidade e cultura de alguém.
Muitas das pessoas que dizem que as touradas são pouco civilizadas dizem-no só por acharem que o devem dizer e porque, ao dizerem-no, se sentem mais civilizadas.
Eu gosto de touradas e isso não faz de mim uma má pessoa, uma pessoa menos civilizada ou menos culta.

Publicado por Afonso Reis Cabral às 15:45
link para a posta | Comentar | Ver comentários (3)
"I should find myself degraded if I descended to finding out if my convictions suited every man in the audience before I uttered them."
John Osborne
in A subject of scandal and concern

.Contribuidores

.Pesquisar:

 

.Últimas postas

. Está morto mas estamos vi...

. A 79 anos da quinta-feira...

. Le Clézio: Nobel da Liter...

. Dois anos!!

. Ai a crise!

. Morreu Dinis Machado

. Animator Vs Animation

. Angústia nas paredes

. Consumidores de gasolina ...

. Chega hoje o Outono

.Arquivos

. Janeiro 2012

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

.Ligações



blogs SAPO

.Tags

. todas as tags

.subscrever feeds