Sábado, 2 de Dezembro de 2006

The Birds



Alfred Hitchcock que o diga: os pássaros são um perigo para a saúde pública.

Anteontem, dando um passeio pela baixa do Porto, descobri as maravilhas da natureza sob a forma desses pequenos pombos perspicazes que projectavam pelo ar e no solo os seus pequenos presentes pestilentos.
Falo dos pombos (ou pombas, não sei bem quando é que se deve diferenciar) citadinos, aqueles que têm todos os vícios urbanos, não falo do nobre pombo-torcaz, muito comum na Europa, nem do pomb-bravo das Canárias, ou do pombo-de-asa-branca, nem mesmo do pombo-gigante. Todos estes levam a sua vida condignamente e fazem por isso, o pombo-turcaz, por exemplo, nidifica nas soalheiras orlas das florestas, raramente é avistado (cá em Portugal) no interior das matas urbanísticas. Dos outros pombos-nobres referidos nem vale a pena falar pois esses levam a sua vida pacatamente no estrangeiro.
Ah! Não esquecer nunca numa boa lista columbófila o pombo-correio, expoente máximo de classe e distinção, de força e orientação. Não esquecer que foram estas nobres aves que trouxeram, aquando da batalha de Waterloo, a fortuna a Rothschild!

Mas Alfred Hitchcock que o diga: os pássaros são um perigo para a saúde pública.

Falo, isso sim, dos pombos-das-rochas (Columbia livia) que, tendo sido domesticados, partilham hoje em dia os rochedos de pedra das grandes e pequenas cidades com o homem, habitam os prédios e casas onde vivemos. Estes pombos-das-rochas são uma autêntica praga que transporta doenças e que deixa os prédios cobertos por uma camada grossa de excrementos que, secando com o tempo, se transformam em cascão aderente ao couro cabeludo dos edifícios. Quantas estátuas têm um chapelinho branco-sujo devido aos despejamentos destes pássaros mal-voantes? Quantos umbrais e não umbrais destas cidades por Portugal fora não são obrigados a eriçarem-se em duas e três fileiras de espetos metálicos para se protegerem destes ratos com asas? Quando digo mal-voantes, digo-o com conhecimento de causa: já pisei uma ou duas pombas porque suas excelências não se dignaram a sair do caminho. Acredito que daqui a alguns bons anos estes animais desistirão de levantar voo e de conquistar os céus, pois o solo, local dos fracos, está já tomado.
Os pombos são uma ameaça em todos os sentidos: transportam doenças, excrementam indiscriminadamente, poluem visualmente os ares…
Penso por tudo o que foi dito que é preciso acabar com o flagelo dos pombos-das-rochas citadinos. Que eu saiba, só existem duas opções: veneno ou falcões.
Cá por mim, o veneno é mais viável.

(Ainda não sei aonde é que o Inglês foi buscar a poética palavra “dove”, mas falando destes ratos com asas prefiro usar a palavra seca “pigeon”.)

Publicado por Afonso Reis Cabral às 23:34
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2 comentários:
De Anónimo a 3 de Dezembro de 2006 às 18:34
O melhor seria a tiro de caçadeira!
VIVA A CAÇA URBANA!
De Joaquim Bexiga a 12 de Novembro de 2008 às 22:07
Realmente a quantidade destas aves que habitam já o tecido urbano, pode vir no caso de uma epidemia (lembro a gripe das aves), a provocar uma dispersão rápida e incontrolável da doença.
Assim, correndo o risco de poder ferir algumas sensibilidades, ou se controla de imedfiato o prolferação destas aves via esterilização ou se permite sem restrições o seu abate pelos caçadores nas zonas cinegéticas.
Actualmente a definição de pombo bravo é tão confusa, que alguns caçadores, por receio das pesadas multas que lhes poderão ser aplicadas pelo abate de algum pombo que eventualmente não pertença ao tipo considerado na lei, limitam-se a não arriscar.
É por demais evidente que, quem vive em zonas ainda não inundadas por estas aves, poderá considerar este meu comentário cruel e infundado.
A esses resta-me dizer-lhes que o tempo irá colocar-lhes á porta o mesmo problema que eu já tenho e que já me obrigou a vedar toda a chaminé do prédio para pelo menos não ter excrementos nas minhas refeições.
Posso adiantar-lhes que há um ano se me dissessem que isto me iria acontecer eu não actreditaria.

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