Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Histórias de Internet

(Custa-me a acreditar, mas parece que esta história é verdadeira. A notícia veio no Público, eu apenas decorei o enleio.)


Um casal, depois de alguns anos de casamento, viu a sua relação deteriorar-se. Aos poucos e poucos, uma facadinha aqui, uma facadinha ali, o casamento ficou completamente desfigurado, irreconhecível até para eles mesmos.
Para fugir ao penoso dia-a-dia, marido e mulher refugiaram-se num mundo diferente onde podiam virtualizar as suas angústias – a Internet. Ao fim e ao cabo, procuravam alguém com quem desabafar, uma espécie de psicólogo à distância de um link. Com o tempo cada um consolidou uma amizade especial com um desconhecido apenas acessível através de um NickName numa sala de chat. De facto, aquelas conversas eram um abençoado refúgio: marido e mulher carpiam as novos “amigos” os males do seu casamento, marido e mulher desabafavam os pormenores mais repugnantes do seu parceiro, marido e mulher disseram horrores um do outro.
A Internet revelou-se um mundo de alienação, com a simplicidade de quem está a quilómetros de distância. Acontece que um dia cada um decidiu conhecer em carne e osso a pessoa por detrás do NickName consolador. A cena é típica de filme, por isso monótona: florzinha à lapela para ele, casaco de cor distinta para ela. (Esta parte inventei eu…) Cada um combinou local e hora para se encontrar com o seu NickName, cumprindo assim todos os requisitos do adultério.
A mulher deve ter sido a primeira a chegar ao encontro, pelo que ficou à espera do seu NickName. Mal sabia ela que a essa hora o marido se dirigia também para o seu próprio encontro secreto!
Esperou… esperou… até que, sobressaltada, viu um homem estranhamente familiar dirigir-se ao local combinado, de flor à lapela: o seu marido! Descobriram então que estiveram meses e meses a carpir os defeitos do casamento, não a uma pessoa desconhecida, mas sim à própria fonte do mal, o cônjuge a escrever na sala ao lado!
No entanto esta não é uma história com final feliz, os desabafos não serviram de catarse para um casamento em estado crítico. O casal divorciou-se pouco tempo depois porque o que tinham desabafado era grave de mais para conseguirem olhar um para o outro…

Publicado por Afonso Reis Cabral às 08:53
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4 comentários:
De Afonso Reis Cabral a 10 de Outubro de 2007 às 19:43
Caro Pedro Barbosa Pinto,
Obrigado pela referência, será certamente uma leitura interessante.
De Pedro Barbosa Pinto a 9 de Outubro de 2007 às 16:49
Para quem gostou do post

Amar de olhos abertos (Um romance virtual sobre um amor real)

Romance de Jorge Bucay e Silvia Salinas
Editora - Pergaminho.

A história não será a mesma mas leva-nos a uma verdadeira reflexão.
De Anónimo a 8 de Outubro de 2007 às 21:28
tinhas razão: axei mesmo piada!
este nosso mundo... =D


Mariana M Silva
De Anónimo a 8 de Outubro de 2007 às 09:22
Admirável Mundo Novo!

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