Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

"Arte que emerge da vida"

Faz hoje 400 anos do nascimento do Padre António Vieira. Mais que um orador exímio, cujo barroco dos sermões estava sedimentado essencialmente numa prosa conceptista, António Vieira foi um homem de acção. Os quatrocentos anos do seu nascimento não seriam lembrados se não tivesse aliado a escrita às grandes causas. De facto, “arte que emerge da vida”, como resume Hernâni Cidade.
Entre outras posições, fez pressão junto de D. João IV para que este admitisse em Portugal os mercadores judeus que erravam pela Europa e para que abolisse a distinção entre cristãos e cristãos-novos – aumentando assim os seus investimentos, esperava espicaçar a economia. Em 1649, propõe a reforma do Santo Ofício, que exerceria toda a sua influência para lhe “fazer a vida negra”: vinte e um anos depois acaba encarcerado pela Inquisição em Coimbra, sendo pouco depois amnistiado. Em 1652 parte novamente para o Brasil, onde dirige as missões do Maranhão. Cedo se apercebe das terríveis condições de vida dos índios, que eram escravizados pelos colonos, e de tudo faz para lhes suavizar a existência. De todas, talvez esta seja a causa mais famosa de António Vieira.
“Imperador da língua portuguesa”*, António Vieira morre aos 89 anos, deixando 200 sermões, centenas de cartas e muitos outros documentos de natureza política.

* Fernando Pessoa, in Mensagem

Adenda:

Ouvi ontem dois ou três políticos e comentadores, sobre o 4º centenário do Padre António Vieira, queixarem-se da forma como o ensino o trata, (quase) não o dando nas escolas. «Antigamente é que era…», lamentavam-se. Sabemos que a educação tem as suas falhas, mas não tantas! Convém fazer os “trabalhos de casa”:
O livro de Português do 11º ano, Entre Margens, conta com um capítulo inteiro sobre o Padre António Vieira, especificamente:
Vários textos de estudo sobre a biografia e obra, excerto do Sermão da Sexagésima e excertos extensos do Sermão de Santo António. Para além disto, muitos textos de autores contemporâneos sobre vários aspectos da figura do Padre António Vieira.


Publicado por Afonso Reis Cabral às 11:24
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1 comentário:
De Raul Martins a 9 de Fevereiro de 2008 às 23:18
Ó amigo, tu ligas ao que dizem os políticos?

Parabéns pelo teu blog!

Conheci-o a partir dos teus colegas "Batatas".

Parabéns pela actualidade do teu blog e dos temas que trazes e oportunidade de informação.

Vou ser visitante assíduo.

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John Osborne
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