Domingo, 29 de Abril de 2007

Juliette Benzoni

Sobretudo desde o sucesso de Dan Brown que tem vindo a proliferar nas livrarias um género com pouca tradição junto dos leitores portugueses - o romance histórico. Enquanto que alguns historiadores de renome se dedicam a contar os acontecimentos o mais fielmente possível, muitos escritores misturam alguns factos com muita imaginação. Na verdade, não vejo mal de maior nisso se o livro se apresentar como tal - uma obra de ficção. Sem dúvida que se podem revelar leituras empolgantes. Mas há que diferenciar. Recentemente li o livro "Rainhas Trágicas", de Juliette Benzoni. Trata-se de curtas biografias das mais diversas monarcas. Pode ler-se nas primeiras páginas do livro ou na contra-capa do mesmo a preocupação com a fidelidade "ao rigor dos acontecimentos históricos" e à "pesquisa e rigor documental". Palavras que se demonstraram puramente promocionais. Fiquei desiludida com a facilidade com que uma autora com tanta obra publicada escreve uma série de biografias todas semelhantes e fúteis, numa linguagem pobre e com um tom de telenovela. Desde uma rainha do Egipto que é descrita, para arrepio do bom gosto e meu também, como a "cinderela do Nilo", todo o livro se revela imperdoavelmente comercial. Com um pouco mais de trabalho, Benzoni poderia ter feito melhor. Caberá aos leitores saber exigir essa diferença.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 15:01
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4 comentários:
De Anónimo a 22 de Janeiro de 2008 às 13:15
Huumm... parece-me que a Juliette Benzoni é bastante anterior ao Dan Brown, logo o "desde que" está muuuito mal empregue.
De Afonso Reis Cabral a 29 de Abril de 2007 às 16:45
Caramba, já chega desses livros ocos que pretendem fazer pensar! Cabe, de facto, "aos leitores saber exigir essa diferença". Penso que o estilo do romance histórico não veio para ficar, não passa de uma moda, de fogo-fátuo.
Ora aqui vão uns exemplos...
1.A VERADE SOBRE O CÓDIGO
2.CRISTO REVISITADO
3.A CONSPIRAÇÃO DE AUGUSTO
4.A CONSPIRAÇÃO SISTINA
5.CUIDADO COM DEUS
6.O PETER PAN NÃO EXISTE (REFLEXÕES DE UM ATEU)
7.O PAPA QUE NUNCA EXISTIU
8.OPUS DEI (UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE UMA IGREJA DENTRO DA IGREJA)
9.O SANTO SUDÁRIO (O ÚLTIMO SEGREDO DE DA VINCI)
10.O NÚMERO DE DEUS
11.OS MONGES QUE TRAÍRAM JESUS
12.A CONSCIÊNCIA FRANCISCANA
13.A PAPISA JOANA
14.MARIA MADALENA
15.TIAGO IRMÃO DE JESUS
16.PEDRO II O ÚLTIMO PAPA
17.A CONSPIRAÇÃO DO GRAAL
18.OBRA-PRIMA DESAPARECIDA
19.O SEGREDO DO 13º APÓSTOLO
20.EM NOME DE JESUS
21.CRISTO O SENHOR
22.A CATEDRAL DO MAR
23.O VERDADEIRO LIVRO DE SÃO CIPRIANO
24.OS CAVALEIROS DE SÃO JOÃO BAPTISTA
25.VATICANO 2003
26.A PAIXÃO DE MARIA MADALENA
27.O CRONISTA (HISTÓRIA DA PAPISA JOANA)
28.NA SOMBRA DE JOÃO XXI
De Inês A. a 16 de Maio de 2008 às 17:35
Concordo que este género de livros, que procuram ver conspirações em todo o lado e fazer acreditar ao público que estas existem, com base em informações históricas forjadas, me tiram do sério... E já me enjoam, para ser sincera...

Mas também é preciso distinguir que há livros e livros. Na realidade, o que Dan Brown faz, não é um romance histórico. É, pura e simplesmente, uma obra de ficção literária "mascarada" de livro da revelação. Para ser honesta, deu-me algum gozo ler o livro, pelo ritmo que o autor consegue impôr à história. É um livro que não nos deixa a pensar, mas que também não nos faz querer pedir o nosso dinheiro de volta. Enfim, é um livro agradável, e tudo poderia ser rosas, se não fosse aquele pormenor logo no início do livro, que para minha grande frustração o autor chama de "Nota histórica". Quanto acabei de ler essa pequena página, a minha frustração foi tão grande que estive quase para deixar o livro de lado... Mas enfim, tirando o chorrilho de disparates (ou mentiras, como preferirem pensar) que Dan Brown nos tenta impingir como verdade nessa pequena página, o autor safa-se bem... Tudo o que está para lá dessa "introdução" (o livro propriamente dito) não deve ser visto com os mesmos olhos, já que se trata de uma história ficcionada. Aliás, penso até que há já um termo para este novo género literário que tanto "pegou" entre o público: "conspiracy thriller" ou simplesmente "thriller".

Mas essa não é a questão... Tenho que discordar é de Afonso R. Cabral, quando inclui nessa lista um livro como "A Papisa Joana". Sinceramente, independentemente de se querer acreditar ou não na lenda da Papisa Joana, não vejo qual é o mal de escrever sobre o assunto... desde que sobre o libéu de "Ficção" e não sobre o de "Romance Histórico", porque de histórico não tem (até factos que possam vir a ser revelados) nada.
De Afonso Reis Cabral a 16 de Maio de 2008 às 18:43
Obrigado pela sua opinião, li e registei .

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