Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

Nome de rua

No Porto existe uma rua longa e de manhã soalheira. Dá para ela uma casa aonde de manhã as freiras vão ajudar quem mais precisa. Pelas dez horas vemo-las a sair aos pares, todas vestidas de branco que reflecte os raios de sol como um espelho, quase como um espelho. Essa rua é fina e longa de maneira que a curva que faz mais parece o ondular de uma cobra que se movimenta devagar.
De manhã pode-se sentir nela a pressa do dia-a-dia e a calma vinda de uma das muitas janelas como se nela se decorresse aquela conhecida passagem do filme A Vida é Bela: «Ó Maria, as chaves!»
A vida nessa rua, de manhã, por vezes, é bela.
De tarde a história é outra porque a sombra já se abateu sobre o pavimento e só aqui e ali o sol bate nas cabeças das pessoas mais altas, faróis do pôr-do-sol.
Tem o nome de Rua de Oliveira Monteiro.
Ah! Quem foi este homem que assim dá nome à rua fina e longa como uma cobra onde de manhã se vivem impressões quase bucólicas? Quem?
Pelo o que a placa diz, Oliveira Monteiro foi Presidente da Câmara do Porto durante dois anos, no fim do séc. XIX. Pois bem, mas que mais fez? Que mais fez? O que é que lhe deu o direito de vir profanar o sol matinal desta rua? Procurei na Internet, na Enciclopédia Luso-Brasileira, na Diciopédia Porto Editora… Não encontrei nada, absolutamente nada.
Sendo assim, só posso pensar que nada fez para ficar nos anais da história a não ser ter mexido nos cordelinhos durante os seus dois anos de mandato para vir rotular com o seu nome esta rua que faz parte do meu percurso quotidiano.
Alguém me sabe dizer quem foi Oliveira Monteiro para merecer dar nome a uma rua?
Quem…?

Publicado por Afonso Reis Cabral às 16:45
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1 comentário:
De Anónimo a 13 de Dezembro de 2006 às 18:23
Dr. António de Oliveira Monteiro (1842-1903) O MÉDICO E O POLITICO NO SEC: XIX Conselheiro, Médico, deputado e Par do Reino, natural da Freguesia de Alcafozes, Concelho de Idanha-a-Nova, onde nasceu a 2 de janeiro de 1842 e onde passaria grande parte da infância até ao momento em que ingressou nos estudos universitários na Cidade de Coimbra. - O POLITICO A sua carreira política inicia-se em 1886, quando é eleito vereador da Câmara Municipal do Porto, foi-lhe confiado o pelouro da instrução publica, ao qual deu grande impulso, introduzindo-lhe importantíssimos melhoramentos.Eleito mais uma vez para vereador na Câmara Municipal do Porto para o triénio de 1887-1889 pelo Partido Progressista e eleito pelos colegas para o cargo de vice-presidente seria desta vez vereador do pelouro dos incêndios.Por ser continuador da reforma da corporação, iniciada em 1879 pelo Sr. Conselheiro Correia de Barros e pelo importante desempenho das suas funções na vereação a edição da revista “O Bombeiro Português” (n.º 12 Ano VIII de 30 de Novembro de 1888) prestou-lhe uma homenagem na qual salientam não se tratar de uma “cortesia e muito menos uma lisonja banal, infundada e sem significação; nem tão pouco visa captar a simpatia e amizade desse cavalheiro”, mas devido aos relevantissimos serviços prestados no pelouro dos incêndios, a quem o Município do Porto ficou a dever a reforma deste serviço e aos Bombeiros, o engrandecimento de uma classe até então manietada por falta de recursos. A nova organização do serviço de incêndios e os melhoramentos introduzidos no corpo de Bombeiros, foi de facto uma obra meritória e um incalculável beneficio para a cidade, colocando à época, Portugal ao nível dos mais evoluídos países da Europa, nesta matéria.A obra por que ansiava e imaginava Guilherme Gomes Fernandes, a quem estava confiada a direcção dos Bombeiros Portuenses e que em homenagem mandou colocar o retrato do ilustre vereador e vice-presidente da Câmara, no seu gabinete, nunca passaria do projecto e ficaria eternamente esquecida se não existisse o patronato do Dr. Oliveira Monteiro um homem que dispensou todo o seu empenho no sentido de corresponder à confiança dos portuenses e de velar pelo seu bem estar e segurança.A Presidência da Câmara Municipal do Porto ser-lhe ia atribuída a 8 de Setembro de 1887 por falecimento do então Presidente Ex.mo Dr. José Frutuoso Aires Gouveia Osório.O Dr. António de Oliveira Monteiro passou a acumular com o pelouro dos incêndios o destino do Município, e de forma notável. A sua excelente gerência e o espirito de imparcialidade e de isenção com que buscou servir o Município do Porto, valeu-lhe a reeleição para o triénio de 1890-1892.Foi no inicio do seu segundo mandato nos destinos da cidade do Porto que o Dr. António de Oliveira Monteiro, deparou-se com a que talvez foi a situação mais adversa, a Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891, excelentemente documentada em “História da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891”; por João Chagas.Em Julho de 1895, foi eleito para o lugar de Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, mas a 17 de Outubro de 1895 o Dr. Oliveira Monteiro declarou que dava por suspensas as suas funções de Provedor, devido a uma questão pendente entre a Santa Casa e a testementaria do Conde de Ferreira, benemérito da Santa Casa e pelo facto do Dr. Oliveira Monteiro ser herdeiro de um dos testamenteiros, assim, enquanto não fosse resolvido o problema entre a Santa Casa e a testamentaria, não exerceria o cargo.No triénio de 1896-1898, foi uma vez mais eleito para vereador, na celebre eleição por círculos, ocupando-se uma vez mais do pelouro dos incêndios.Em 11 de Fevereiro de 1897, foi nomeado pelo Partido Progressista (Partido Progressista, chefiado pelo Conselheiro José Luciano de Castro; companheiro partidário e amigo de Oliveira Monteiro, partido que sempre serviu e seguiu com lealdade) para o lugar de Governador Civil, tomando posse a 15 do mesmo mês e uma vez colocado no primeiro lugar da administração do Distrito do Porto, foi ainda a sua austeridade e a sua hombridade que no meio da guerra política, lhe reservou adversários dentro e fora do partido, a que ele ligou-se, originando muitas disputas pela posição de chefia do Partido Progressista no Norte, do qual o Dr. António Oliveira Monteiro era a principal figura ou personalidade.Em 1899, elegeu-se para a câmara dos deputados e ascendeu ao pariato a titulo vitalício. Este é o ano em que é agraciado Conselheiro.Homenageado por Manuel Monterroso no tripeiro serie V ano III de Novembro de 1947 pag. 153.

http://fotos.sapo.pt/barrosgomes/pic/0000236a/

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