Terça-feira, 27 de Março de 2007

Impressões e ilusões


Depois de uma tirada de quatro horas a assistir à final de “Os Grandes Portugueses” considero-me um verdadeiro resistente. Domingo à noite foi épico!
Por mais que tente, não consigo perceber como é que António de Oliveira Salazar ficou em primeiro lugar com mais do dobro de Álvaro Cunhal, segundo lugar facilmente explicável com todo o Partido Comunista de telefone em punho a votar.
Muitas razões foram dadas para justificar este primeiro lugar, mas continuo a achar que todas essas explicações formam uma manta de retalhos que dificilmente cobre o verdadeiro significado da vitória de Salazar.
Parece que nós temos um carinho especial por ditadores: um ficou em primeiro e outro que gostaria de ter sido ficou em segundo.
A única conclusão a que consigo chegar é que as pessoas que votaram em Salazar estão descontentes com o estado da nação. Essas pessoas não são salazaristas (pelo menos a grande maioria), identificam apenas em Salazar a seriedade e rectidão que gostavam de ver nos seus dirigentes porque ao fim e ao cabo qualquer país precisa de alguma autoridade. Não conseguem distinguir as diversas fases do Estado Novo, nem muito menos julgá-lo como um todo e por isso utilizam como pretexto de voto aquilo que houve de positivo sem contabilizar aquilo que houve de negativo. O problema é que, de facto, o Estado Novo foi um todo que não pode ser partido às fatias.
Quanto ao segundo lugar, sobre Álvaro Cunhal posso dizer exactamente a mesma coisa. O esforço de resistência e de luta pela “liberdade” foi heróico, no entanto não nos podemos esquecer que Álvaro Cunhal não queria a democracia, mas sim a implementação de uma ditadura estalinista. Compreendo perfeitamente este segundo lugar que se deve única e exclusivamente ao PC e em especial à Odete Santos, estandarte último da ortodoxia comunista e da luta pela “liberdade”.
Safa-se o terceiro lugar de Aristides de Sousa Mendes, mesmo assim muito longe daquilo que eu considero o “maior português de sempre”.
O programa em si teve um mau timing e uma organização confusa.
Mas enfim, trata-se apenas de um programa de televisão e eu não me podia ter divertido mais. Entre Odete Santos de punho em riste, carteira no colo e ar de peixeira («O Álvaro Cunhal era excessivamente modesto.» «A apologia ao fascismo é proibida na constituição!!!!» «O mundo não terminou e o fascismo não levará por diante!!!») até a um aluno representante da Universidade do Minho («O D. Afonso Henriques fundou um país com uns paus e uma espécie de espada.»), passando por Leonor Pinhão («Acho uma coisa maravilhosa enganar um papa!»), as gargalhadas foram mais que muitas.


Estado do tempo no PCP:
Estado do tempo em Santa Comba Dão:

Publicado por Afonso Reis Cabral às 11:27
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