Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

Haverá coerência?


Quando Augusto Pinochet morreu, em Dezembro do ano passado, muitas foram as vozes da blogosfera portuguesa a congratularem-se por este ter finalmente batido a bota, lamentando no entanto Pinochet não ter sido julgado em vida. Partilho este lamento, repudio o júbilo necrófago e irracional.
Dito isto, não resisto a fazer uma ponte entre o Chile e Cuba.
Fidel Castro parece ter recuperado depois de muitos meses de convalescença, mas não deixa de ser um facto que já esteve mais longe da morte. Com Fidel cansado e fraco, assim ao menos os cubanos já não têm que ouvir discursos de seis horas. Do mal, o menos.
Ora o paralelo reside no seguinte: quando Fidel morrer, a bem da coerência, gostava de ver a mesma reacção por parte daqueles que anteriormente se ergueram em celebração doentia da morte de Pinochet. A bem da coerência, claro está. Penso que embora as ideologias políticas tenham sido opostas, o autoritarismo foi (no caso de Cuba, ainda é) o mesmo. Poder pelo poder, força pela força.
No entanto, algo me diz que quando o ditador de Cuba morrer haverá um silêncio profundo por parte daqueles que anteriormente celebraram a morte do ditador do Chile.
Publicado por Afonso Reis Cabral às 21:31
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11 comentários:
De Afonso Reis Cabral a 8 de Junho de 2007 às 14:15
Meu caro Anónimo das 2:16,

Longe de mim não saber ouvir! Para mais, se eu não apreciasse o debate, nem sequer teria respondido. Penso que a atitude mais provável de quem “julga ter a verdade no bolso” seria a de nem sequer dar importância ao assunto. Não foi o caso.Gosto muito que os leitores se interessem pelo que escrevo ao ponto de comentarem, mesmo que sob o anonimato. De facto, o seu primeiro comentário foi bastante vazio, por isso não trouxe tanto interesse para o debate como poderia ter trazido. Não quero com isto dizer que não tenha contribuindo, quanto mais não seja por esta troca de opiniões que agora se desenrola.
De facto, o comunismo quase acabou em 1989. Como disse na minha primeira resposta, trocando as voltas a Fernando Pessoa (O Menino de sua Mãe), arrefece mas não jaz morto. Achei interessante a sua definição sobre o regime de Kim Jong-il porque ela aplica-se na perfeição a todos os outros regimes comunistas como a URSS e a China de Mao. Todos esses regimes foram comunistas, não passando de “um regime criminoso” que “deixava o povo morrer à fome”. Ou seja, nesse aspecto nada os diferencia do “querido Líder” ou de Fidel Castro.
Agradeço muito as suas sugestões. Só gostava de referir um certo despropósito: posso muito bem escrever sobre a flexisegurança (aconselho a leitura de um extenso artigo sobre o assunto que vem hoje no jornal Público), assim como sobre a África dos 420 milhões a viver com menos de um euro por dia, ou mesmo sobre a taxa de desemprego, etc. sem que isso anule a denúncia da hipocrisia. Porque é que uma coisa invalida a outra? Compreenderia a sua observação se eu me limitasse a escrever sobre o comunismo, aí seria uma verdadeira obsessão! Acrescento: em mais de meio ano a janelar, esta deve ter sido a segunda ou terceira vez que toquei no assunto. Dois ou três posts no meio de quase 800 é pouca coisa, corresponde na verdade ao tamanho da hipotética “obsessão” que me aponta.
Agradeço muito o interesse,

Abraço
De Anónimo a 8 de Junho de 2007 às 02:16
Meu caro ARC: Um democrata sabe ouvir, diria mesmo, aprecia a divergência, o debate.Não faz, seguramente, processos de intenção, e tambémnão tem a presunção de que a contribuição alheia não verdadeiro interesse ao debate.Ou seja: não se apresenta como se tivesse a verdade no bolso!Descanse que o comunismo acabou em 1989 e a Coreia do Norte, não passa de um regime criminoso governado por uma cleptocracia dinástica demente, que deixa morrer o povo á fome.Mas agora reparo, o meu amigo nada disse quanto aos outros temas que referi! Não o preocupam? Acaso não são do presente e desgraçadamente do futuro? Já agora deixo-lhe um novo: flexisegurança ! (que acha? )
De Afonso Reis Cabral a 7 de Junho de 2007 às 21:17
Caro anónimo das 8:27,

Os comentários anónimos surpreendem-me quase sempre pela negativa. Para já, o simples facto de serem anónimos denota uma pequena cobardia que eu não entendo. Depois, esses comentários não trazem verdadeiro interesse ao debate. Lançam umas farpas, criticam os outros de forma não construtiva, raspam-se assim sorrateiramente de responsabilidades. É o caso.
Para mais, ao acusar de imprecisão o comentador João Cruz, expõe com precipitação os seus próprios telhados de vidro. De facto, o comunismo, entre todas as outras ideologias autoritárias e abusivas dos direitos do homem, é uma das únicas que ainda hoje em dia mantém ditaduras. Veja-se o referido caso de Cuba, tome-se também por exemplo a Coreia do Norte, liderada pelo “querido Líder” Kim Jong-il. O comunismo arrefece, mas não jaz morto.
Caro anónimo, o post não é reflexo de uma “obsessão pelo comunismo” (longe de mim ser uma pessoa obsessiva!), mas sim uma séria preocupação e aversão por sistemas autoritários e ditatoriais que são a dicotomia da democracia em que acredito. Se o caso fosse precisamente o oposto, isto é, se Fidel fosse nazi, eu diria exactamente o mesmo. É também um post contra a hipocrisia.
Espero assim ter esclarecido as dúvidas que parecia transmitir, apesar das certezas todas que escreveu. Obrigado pelo comentário.
De Anónimo a 7 de Junho de 2007 às 20:27
Vejo, com pena, a obsessão dos post de carácter político deste blogue com o comunismo, que afinal jaz morto e arrefece! Recomendo aos seus jovens feitores, preocuparem-se, com coisa mais actual, do tempo deles e nosso: globalização, exploração do terceiro mundo, desemprego, pobreza, exclusão social.Até pode ser, que o João Cruz traga desta vez uma estatísticas mais exactas. Who Know`s ?
De Anónimo a 6 de Junho de 2007 às 22:14
João Cruz não seja ironico, quanto mais informação divulgarmos mais completo e mais culto fica o mundo dos blogs
De João Cruz a 6 de Junho de 2007 às 10:33
Sr. José Sousa Pinto,
Não seja curioso nem preguiçoso.
A pesquisa dá trabalho. Se me pagar o trabalho que tive era capaz de lhe dizer, no entanto não é assim tão difícil como julga. Mas vá lá, dou-lhe uma dica: que tal a Amenistia Internacional que está proibida de entrar em Cuba desde 1998?
Já agora mais uma informação sobre Cuba: Um quinto da população (é assim mesmo: UM QUINTO) está exilada.
Nota final: estranho que não se tenha preocupado com a fonte de informação sobre os outros monstros.
Cumprimentos.
De Jose Sousa Pinto a 5 de Junho de 2007 às 23:25
Ao Sr Joao Cruz agradeço o aforismo.
Pessoalmente, considero-me, de facto, um ignorante, mas nao hesito em genuflectir perante cabeças laureadas e de enorme sapiencia.
So por curiosidade, gostaria de saber qual a sua fonte para o numero de mortos que indica quanto ao concorrente Fidel. Obrigado.
De José Tomás Costa a 5 de Junho de 2007 às 18:02
Caro João Cruz
A frase que cita é, salvo erro, de Estaline
De Afonso Reis Cabral a 5 de Junho de 2007 às 17:28
Caro João Cruz,

Não podia ter respondido melhor.

Abraço
De João Cruz a 5 de Junho de 2007 às 10:49
O comentário do Sr. José Sousa Pinto já indicia essa prevista indulgência para com Fidel. Indulgência alicerçada na ignorância.
A saber:
Pol Pot: Camboja 1975-1979 ; responsável por um milhão e setecentos mil mortos.
Mao: China 1949 - 1976 ; responsável por setenta milhões de mortos.
Fidel: Cuba 1959 até à data de hoje; responsável por 15.000 mortos e detenção e tortura de 100.000 pessoas.
Pinochet: Chile 1973 - 1990 (entregou o poder após um plebiscito); responsável por 3.000 mortos e detenção e tortura de 27.555 pessoas.
Por estas e por outras Bernard Henry-Levy afirma:"a morte de Fidel Castro será um teste de verdade para a esquerda".
Alguém disse um dia, qualquer coisa como isto:" o assassinio de um homem é uma tragédia; o assassinio de milhares é uma estatistica". Estou a ver que sim, mas ao menos que se conheça melhor o ranking das estatisticas!

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