Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Cuba

Fidel Castro, ao contrário do que noticiava hoje o DN, não passou à história. Depois de 49 anos no poder, só a morte faz passar à história. Manter-se-á como “soldado das ideias”, dominando nos bastidores a sempiterna ditadura cubana. Fidel renunciou ao Conselho de Estado, mas não deixou o cargo de primeiro secretário do Partido Comunista Cubano. Deduz-se daqui um silogismo inevitável: O PCC domina Cuba, Fidel domina o PCC, logo Fidel domina Cuba!…
Raúl Castro não é mais que uma máscara de Fidel. Fala-se no seu pragmatismo e na sua admiração pelo modelo chinês como se isso fosse sinónimo de esperança. No entanto, a verificar-se, de nada serve este tipo de abertura: o regime permanece exactamente o mesmo. Aí é que está o Mal.

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Armando Valladares esteve encarcerado 22 anos nas prisões de Fidel apenas por não concordar com a ditadura comunista. Achei importante lembrar um episódio do seu livro-testemunho Contra Toda a Esperança:
«De manhã, o sol aquecia a placa de ferro da minha janela, que dava para leste, e a cela transformava-se num forno. Suava-se, então, aos jorros. A transpiração e a gordura, que com ela era expulsa, adquiriam naquele espaço fechado e na obscuridade uma fetidez peculiar.
À tarde, aqueciam-se as placas da frente, à medida que o sol avançava. Passávamos semanas inteiras sem tomar banho. Quando lhes apetecia ou recebiam ordens, os guardas, sentados no corredor, abriam os «chuveiros» com algumas voltas no contador. Faziam isso a qualquer hora. No Verão, abriam-nos quando as placas de ferro estavam em brasa. No Inverno, de madrugada. Então, chegavam ao corredor comprido e gritavam que tinham cinco minutos para o banho. Quando calculavam que estávamos ensaboados, fechavam a água. (…) O sabão secava nos nossos corpos e sentíamos como a pele empastada se ia esticando, e os cabelos ficavam duros. Isto alterava muito os nervos, e os gritos pedindo água, eram uma tortura suplementar. E todo aquele inferno ia minando, gradualmente, o equilíbrio das nossas mentes. Era exactamente esse o objectivo dos nossos carcereiros.»

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Sobre o mesmo assunto, pela blogosfera:

Count thy blessings, hermano!, Luís Rainha no Cinco Dias
O princípio do fim, Daniel Oliveira no Arrastão
Hoje é um dia feliz, Carlos Abreu Amorim no Blasfémias
Vou-me embora, mas não se esqueçam que estou aqui, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
Não há mal que sempre dure!, Ricardo Pinheiro Alves no Incontinentes Verbais
Cuba, Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos
Que mil Buíças floresçam, Pedro Picoito n'O Cachimbo de Magritte
Os maus e os mais ou menos, Pedro Marques Lopes no Blogue Atlântico
The winner? Yes, but..., Henrique Burnay no 31 da Armada
Era Fidel, Rui Rebiano n' A Terceira Noite
Reforma de rivais, José Teófilo Duarte no Blogoperatório
Foguetes para quê?, Eduardo Pitta no Da Literatura
Boas notícias para os cubanos, José Mexia no Nortadas
Publicado por Afonso Reis Cabral às 22:54
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John Osborne
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